Análise entre obesidade e diabetes mellitus 2

Flavio Fontes Pirozzi apresentou a dissertação de mestrado intitulada “Relação entre o índice de massa corpórea, diabetes mellitus 2, estresse oxidativo e polimorfismos nos genes da Enzima Conversora de Angiotensina (ECA) e Metilenotetrahidrofolato Redutase (MTHRF)”. O trabalho foi desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Genética do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce) da Unesp, Câmpus São José do Rio Preto.

Resumo
A obesidade e o diabetes mellitus tipo 2 são importantes desafios de saúde pública na atualidade. Ambas são doenças heterogêneas e com uma fisiopatologia multifatorial. A classificação quantitativa da obesidade pelo cálculo do índice de massa corpórea (IMC) sua relação com o diabetes são questionáveis e novas formas de avaliação de risco são necessárias.

Com este intuito, foram selecionados um grupo de indivíduos obesos Brasileiros com e sem diabetes (grupo DM2 e grupo controle, respectivamente) para avaliar a relação destes pacientes com a presença de dois polimorfismos genéticos (I/D ECA e C677T MTHFR) e provas de estresse oxidativo pela peroxidação lipídica (TBARS) e antioxidante (TEAC).

Na avaliação dos polimorfismos entre os grupos, relacionando com o grau da obesidade, a chance de ocorrência ou proteção para o diagnóstico do diabetes, a presença de comorbidades (hipertensão, dislipidemia e doença cardiovascular), o diagnóstico de complicações microvasculares entre os pacientes obesos diabéticos, não houve diferença significativa.

Na análise do polimorfismo I/D ECA, o genótipo DD, que apresenta maior risco para doenças cardiovasculares, foi o mais frequente em ambos os grupos (48,7% x 50,7%). Na avaliação do polimorfismo I/D ECA na presença do genótipo DD encontramos um pior parâmetro do estresse oxidativo pelo TBARS (p = 0,04) e pelo TEAC (p < 0,0001). O mesmo não ocorreu na análise do polimorfismo C677T MTHFR na presença do homozigoto mutante TT. Relacionando o IMC com estas provas inflamatórias, encontramos uma correlação diretamente proporcional com o TBARS (r = 0,7941) e inversamente proporcional com o TEAC (r = -0,6022) (p < 0,0001), mas não houve diferença entre o valor médio destas provas entre o grupo DM2 e o grupo controle.

Não foi encontrada diferença significativa na avaliação do estresse oxidativo e a presença de comorbidades relacionadas com a síndrome metabólica, complicações microvasculares, duração do sono e o uso da metformina. Também não foi observado uma relação significativa entre a duração do sono e o grau da obesidade entre os grupos.

Analisando um grupo de adultos Brasileiros obesos, uma população multiétnica, com e sem diabetes, os integrantes da equipe de pesquisa não encontraram uma relação com estes polimorfismos analisados. As provas de estresse oxidativo, TBARS e TEAC, tiveram uma importante relação com o grau da obesidade e a presença do genótipo DD. Estes achados comprovam a efetividade da avaliação da obesidade pelo cálculo do IMC e a maior frequência do genótipo DD, em ambos os grupos, confere um maior risco cardiovascular para pacientes obesos, independente do diagnóstico do diabetes.

Comissão Examinadora
Prof.(a). Dr.(a). Milton Artur Ruiz (Orientador) - Universidade de São Paulo
Prof.(a). Dr.(a). Antonio Carlos Pires -  Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp)
Prof.(a). Dr.(a). Sonia Maria Oliani – Ibilce – câmpus da Unesp de São José do Rio Preto

==> Foto: Reprodução

0 comentários:

Postar um comentário