A trajetória de Elza Soares é sinônimo de resistência e reinvenção. As múltiplas facetas apresentadas ao longo de sua majestosa carreira foram o ponto de partida para o musical “Elza”, que estreou em julho de 2018 no Rio de Janeiro e passou por 15 cidades. Agora, após imenso sucesso popular e a aprovação irrestrita da homenageada, fará apresentações de Brasília no Teatro da CAIXA Cultural. De 27 a 31 de maio, Janamô, Josy.Anne, Júlia Sanchez, Julia Tizumba, Sara Chaves, Sara Hana e a atriz convidada Naruna Costa sobem ao palco para celebrar a memória de Elza Soares.
Em cena, as atrizes se dividem ao viver Elza Soares em suas mais diversas fases e interpretam outros personagens, como os familiares e amigos da cantora, além de personalidades marcantes, como Ary Barroso (1903-1964), apresentador do programa onde se apresentou pela primeira vez, e Garrincha (1933-1983), que protagonizou com ela um notório relacionamento.
Naruna Costa terá sua estreia nessa temporada do projeto e terá papel de destaque no espetáculo consagrando sua trajetória como atriz, cantora, diretora artística e diretora musical. Naruna é vencedora do prêmio Shell 2024 na categoria de Melhor Diretora Musical. Ao longo de sua carreira, já foi indicada e ganhou diversos prêmios como o de Melhor Diretora no Prêmio APCA e Aplauso Brasil e Melhor Atriz nos prêmios CPT e APCA e VI FBCI Festival Brasileiro de Cinema Internacional.
Com texto de Vinícius Calderoni e direção de Duda Maia, o espetáculo tem a direção musical de Larissa Luz. Além disso, o maestro Letieres Leite (in memoriam), da Orquestra Rumpilezz, foi o responsável pelos novos arranjos para clássicos do repertório da cantora, tais como Lama, O Meu Guri, A Carne e Se Acaso Você Chegasse.
Ainda que muitos dos conhecidos episódios da vida da homenageada estejam no palco, a estrutura de ELZA foge do formato convencional das biografias musicais. Se os personagens podem ser vividos por várias atrizes ao mesmo tempo, a estrutura do texto também não é necessariamente cronológica. Da mesma forma que músicas recentes (A Mulher do Fim do Mundo), e emblemáticas (A Carne e Maria da Vila Matilde), se embaralham aos sucessos das mais de seis décadas de carreira da cantora, como Se Acaso Você Chegasse, Lama, Malandro, Lata D’Água e Cadeira Vazia.
Marcada por uma série de tragédias pessoais – a morte dos filhos e de Garrincha, a violência doméstica e a intolerância –, a jornada de Elza é contada com alegria. “A Elza me disse: ‘sou muito alegre, viva, debochada. Não vai me fazer um musical triste, tem que ter alegria’. Isso foi ótimo, achei importante fazer o espetáculo a partir deste encontro, pois assim me deu base para saber como Elza se via e como ela gostaria de ser retratada”, conta Vinicius Calderoni, que leu e assistiu a infindáveis entrevistas que a cantora deu ao longo da vida e também pesquisou a obra de pensadoras negras, como Angela Davis e Conceição Evaristo, cujos fragmentos de textos aparecem na peça.
O espetáculo foi desenvolvido ao longo de um período em que Elza se encontra no auge de uma carreira marcada por reviravoltas e renascimentos. Ao lançar seus últimos dois discos, A Mulher do Fim do Mundo (2015) e Deus é Mulher (2018), a cantora não somente ampliou ainda mais seu repertório e sua base de fãs, como conquistou, mais uma vez, a crítica internacional, e se consolidou como uma das principais vozes da mulher negra brasileira.
Vinícius Calderoni, autor do texto, chama a atenção para a coletividade presente em todo o processo de criação da montagem. Após ter escrito as primeiras páginas, ele começou a frequentar os ensaios e estabeleceu um rico intercâmbio com Duda Maia e as sete atrizes. ‘Hoje poderia dizer que elas são coautoras e colaboradoras do texto. São sete atrizes negras e múltiplas, como a Elza é. Diante da responsabilidade enorme, eu estabeleci limites de fala para mim, por exemplo, em relação a alguns temas. Limitei a minha voz e disse que não escreveria nada, queria os relatos delas e as opiniões. Pedi a colaboração delas, das experiências vividas por uma mulher negra. Do mesmo jeito que a Duda propôs muitas coisas, as atrizes também tiveram este espaço’, conta o dramaturgo.
Tal processo colaborativo se estendeu para a música, com a participação ativa das atrizes e das musicistas nos ensaios com os diretores musicais, e o maestro Letieres Leite, que liderou algumas oficinas com o grupo no período dos ensaios. O processo gerou ainda duas canções inéditas que estão na peça: Ogum, de Pedro Luís, e Rap da Vila Vintém, de Larissa Luz.
Sobre a equipe de criação e produção
A estreia de ELZA marca o encontro da dramaturgia de Vinícius Calderoni com a direção de Duda Maia, dois nomes que se destacaram no recente panorama teatral brasileiro. Pela direção de Auê (2016), estrelado pela Cia. Barca dos Corações Partidos, ela conquistou os prêmios Shell, Cesgranrio e Botequim Cultural de Melhor Direção, além dos prêmios APTR e Cesgranrio de Melhor Espetáculo e o Bibi Ferreira de Melhor Musical Nacional. Enquanto isso, Vinicius já ganhou o Prêmio Shell de Melhor Autor por Ãrrã (2015), o APCA por Os Arqueólogos (2016) e coleciona outras indicações e troféus por espetáculos da companhia Empório de Teatro Sortido, que lidera ao lado de Rafael Gomes.
Em paralelo à carreira de escritor, Vinícius é também ator e músico – ele integra a banda 5 a Seco e tem dois discos lançados. A experiência musical foi determinante no processo de criação do texto. Já Duda trouxe todo o seu trabalho corporal para o desenvolvimento da linguagem da encenação.
A sintonia entre Duda e Larissa Luz foi determinada por uma característica fundamental: a escuta e a participação das intérpretes. ‘Foi um processo de ensaios muito vivo, em que partimos do princípio de que a voz não é nossa, é das atrizes. Fizemos este trabalho para elas e a partir de propostas delas também. Precisamos olhar para o grupo, para a troca’, conta Duda, ressaltando que tudo só foi possível graças à parceria com a Sarau.
Nos últimos anos, a Sarau foi responsável por montagens tais como As Centenárias, Nossa História com Chico Buarque, Azira´i, A Hora da Estrela ou O Canto de Macabéa, Jacksons do Pandeiro, Gonzagão – A Lenda, Ópera do Malandro, Auê e Suassuna – O Auto do Reino do Sol, da Cia. Barca dos Corações Partido, e Gota D’Água [a seco]. Sempre comprometida com a cultura nacional em seus mais variados aspectos, a produtora também assina a direção do Festival TOCA que trouxe a canção brasileira para o centro da discussão, através de shows gratuitos, oficinas e debates.
Ficha técnica
Direção: Duda Maia | Texto: Vinícius Calderoni | Direção musical e arranjos vocais: Larissa Luz | Arranjos: Letieres Leite | Idealização e direção de produção: Andréa Alves | Diretora de projetos: Leila Maria Moreno | Elenco: Janamô, Josy.Anne, Júlia Sanchez, Julia Tizumba, Sara Chaves, Sara Hana. Atriz convidada: Naruna Costa | Musicistas: Lorena Martins, Ana MaGa, Marfa Kurakina e Cris Ariel | Diretora assistente: Ana Carbatti | Produção musical e codireção musical: Danillo Panda | Design de som: Gabriel D'Angelo | Cenário: André Cortez | Figurinos: Kika Lopes e Rocio Moure | Iluminação: Renato Machado | Visagismo: Uirandê de Holanda | Coordenadora de produção: Hannah Jacques | Produtora executiva: Cissa Moreira
SERVIÇO:
Musical “Elza”
De 27 a 31 de maio de 2026
De quarta à sexta, às 20h, sábado,
às 16h e às 20h, e domingo, às 19h.
Sessão acessível em Libras no
sábado 30/5 às 16h.
Ingresso: R$ 30,00 / R$ 15,00 (meia entrada conforme legislação vigente e clientes CAIXA)
Site de
vendas: bilheteriacultural.com.br
Ingressos à venda a
partir de 23 de maio: às 9h, na bilheteria do
teatro; às 13h, no site bilheteriacultural.com.br
Bilheteria: terça a sexta e domingo, das 13h às 21h, sábados das 9h às 21h.
CAIXA Cultural Brasília (SBS Q. 4, Lotes 3/4 - Asa Sul)
Informações: (61) 3206-9448 | caixacultural.gov.br | @caixaculturalbrasilia
Estacionamento gratuito aos finais de semana e feriados, e de terça a sexta a partir das 18h.
Classificação etária: 14 anos.
Duração: 150 minutos.
==> Foto: Marcelo Rodolfo
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