O Centro Cultural do Banco do Brasil
Brasília recebe, a partir de 25 de fevereiro, a temporada do espetáculo Saudade,
do Grupo Os Geraldos, com concepção e direção de Douglas Novais, dramaturgia de
Julia Cavalcanti e Paula Guerreiro, e direção musical de Everton Gennari. Saudade
cumpre temporada até 8 de março, com sessões de quarta a domingo. Quartas e
sextas, às 20h; sábados, às 17h e às 20h; e domingos, às 18h. As sessões de
quinta-feira, às 20h, contam com acessibilidade em Libras e audiodescrição.
Inspirada no conto Pinguinho, de
Viriato Correia, e nos escritos de Rubem Alves, a montagem articula os temas
infância, morte e perda, ancorados em canções do imaginário coletivo, cantadas
ao vivo por 13 intérpretes, que estruturam a cena e conduzem a narrativa. No
vilarejo que ganha forma no palco, a saudade se manifesta como presença ativa —
cantada, dita e corporificada — sustentando o encontro entre os atores e o
público.
Os ingressos custam R$ 30 (inteira) e
R$ 15 (meia-entrada) e estarão disponíveis para venda no site ccbb.com.br/brasilia e na bilheteria do CCBB Brasília. Informações: (61) 3108-7600 | ccbb.com.br/brasilia | Instagram.com/ccbbbrasilia | Facebook.com/ccbbbrasilia. A classificação indicativa é de 16
anos.
A temporada será acompanhada de
atividades formativas gratuitas, que compartilham aspectos fundamentais da
linguagem do grupo Os Geraldos. As oficinas acontecem nos dias 4, 5 e 6 de
março, sempre das 10h às 13h: 4/3 (quarta): Voz em Ação e Corpo-Coro
(1h30 cada); 5/3 (quinta): Corpo-Coro (1h30); e 6/3 (sexta): Orquestração
do Exercício Cênico, seguida de bate-papo. Público-alvo: interessados a
partir de 16 anos. As inscrições são realizadas por meio do formulário: https://forms.gle/JbixMC51vpBLQqBY8
Saudade se constrói na intersecção entre
o teatro popular e uma pesquisa multicultural. Ainda em sua fase inicial de
pesquisa, em 2024, a montagem foi aprovada — entre mais de 200 inscrições, de
24 países — na Convocatoria Iberoamericana de Residencias de Creación, do
Programa Iberescena, que selecionou apenas dois projetos. Esse reconhecimento
gerou o ponto de partida para uma Residência Internacional realizada junto ao
Teatre Nu, num vilarejo próximo a Barcelona, na Espanha, seguindo depois para
Itália, França e Inglaterra.
"Lá
apresentamos uma primeira versão do espetáculo em espanhol para um público que,
no debate pós-espetáculo, parecia tão conectado à obra que foi como se, entre
aquele vilarejo catalão e nosso Brasil profundo, não houvesse tanta diferença
assim", conta o diretor Douglas Novais.
A música ao vivo, executada em cena por
13 intérpretes, ocupa papel central na construção da obra. Saudade se
apoia em canções tradicionais em português, espanhol, francês, italiano e latim
— repertórios populares e amplamente reconhecíveis, capazes de acionar
referências afetivas e experiências inscritas no imaginário coletivo. Mais do
que acompanhar a ação, a música organiza a progressão das cenas e cria um
espaço de comunhão entre palco e plateia, no qual o canto coletivo atravessa
línguas, territórios e gerações, reforçando a dimensão compartilhada da
experiência cênica.
Visão crítica
O crítico e fotógrafo Bob Sousa,
que assistiu a um ensaio aberto, descreveu a visualidade do espetáculo como
"espinha dorsal da experiência cênica", destacando a integração entre
imagem, som, palavra e corpo para construir um campo de memória compartilhada.
Ele aponta a inspiração nas pinturas de Cândido Portinari, perceptível no olhar
voltado ao homem comum e ao Brasil interiorano, e ressalta o coro como elemento
central, que dissolve protagonismos e afirma o trabalho coletivo como escolha
estética e ética.
Já o crítico de arte Rômulo Sobrinho
descreve a experiência de assistir a Saudade como algo que "fala
menos ao intelecto e mais à pele, à memória e ao afeto". Ele destaca a
cenografia "minimalista sem ser fria, simbólica e sem excessos",
onde os objetos funcionam "como gatilhos da memória afetiva do
espectador". Sobre a trilha sonora, afirma que ela "atua como
um personagem invisível, costurando emoções, preenchendo vazios e
potencializando aquilo que não é dito em palavras". Para ele, ao
final, "saímos do teatro com a sensação de que algo ficou ecoando, uma
lembrança, um nome, um afeto".
Marcos Antônio Alexandre, doutor em Letras pela FALE-UFMG, por
sua vez, relata ter vivenciado um "encontro profundo com minhas
memórias e minhas saudades", transitando "do riso ao
choro" e recuperando o "olhar das infâncias" sobre a
perda. Ele elogia a direção musical de Everton Gennari, que faz o público se perguntar
"Qual é o som do céu estrelado?", e a interpretação de todo o elenco,
com especial menção a Gileade Batista como Pinguinho, "repleta de
engenhosidade, espontaneidade, espiritualidade, leveza, dramaticidade e
liderança". Alexandre conclui que a obra permite "retomar
territórios e buscar diálogos com outras gerações".
Sinopse
Em um pequeno vilarejo, a morte, antes
motivo de festa e brincadeiras infantis, transforma-se em um encontro íntimo
com a fragilidade da vida e a força das memórias. Inspirado livremente no conto
Pinguinho, de Viriato Correia, o espetáculo Saudade celebra a poesia das
raízes de um povo, conectando o interior do Brasil a tantos outros cantos.
Os Geraldos —
É um grupo de teatro formado por artistas, de 18 a 59 anos, que vêm de pequenas
cidades do interior de São Paulo e de outros estados, trazendo consigo um olhar
enraizado no Brasil profundo. Desde 2008, o grupo desenvolve um teatro popular
que valoriza a relação direta com o público e combina pesquisa técnica com a
vivência de quem conhece o país por dentro.
A estética do grupo desenvolve-se em três frentes
principais: as Visualidades do Espetáculo, com um ateliê próprio
responsável pela criação de figurinos, cenários e iluminação;
a Expressividade Vocal, que investiga a palavra falada e cantada como
matéria central da cena; e o Coro, entendido tanto como base estrutural da
encenação quanto como um signo da ética do trabalho coletivo, de modo que a
relação entre estética e ética se manifesta na cena e no processo de criação.
O grupo já passou por 105 cidades, em 24 estados brasileiros e 10
países. Além da circulação nacional e internacional, Os Geraldos administram o
Teatro de Arte e Ofício (TAO), um espaço independente de 41 anos, que é sede
para suas criações, formações e para o fortalecimento de uma cena teatral
coletiva e acessível.
Acessibilidade CCBB
A ação Vem pro CCBB conta com uma van que leva o
público, gratuitamente, para o CCBB Brasília. A iniciativa reforça o
compromisso com a democratização do acesso e a experiência cultural dos
visitantes.
A van fica estacionada próxima ao ponto de ônibus da
Biblioteca Nacional. O acesso é gratuito, mediante retirada de ingresso, no
site, na bilheteria do CCBB ou ainda pelo QR Code da van. Lembrando que o
ingresso garante o lugar na van, que está sujeita à lotação, mas a ausência de
ingresso não impede sua utilização. Uma pesquisa de satisfação do usuário pode
ser respondida pelo QR Code que consta do vídeo de divulgação exibido no
interior do veículo.
Horários da van,
de quinta a domingo:
Biblioteca Nacional – CCBB: 13h, 14h, 15h, 16h, 17h, 18h,
19h e 20h
CCBB – Biblioteca Nacional: 13h30, 14h30, 15h30, 16h30,
17h30, 18h30, 19h30, 20h30 e 21h30
O CCBB Brasília
O Centro
Cultural Banco do Brasil Brasília (CCBB Brasília) foi inaugurado em 12 de
outubro de 2000. Sediado no Edifício Tancredo Neves, uma obra arquitetônica de
Oscar Niemeyer, tem o objetivo de reunir, em um só lugar, todas as formas de
arte e criatividade possíveis.
Com projeto
paisagístico assinado por Alda Rabello Cunha, dispõe de amplos espaços de
convivência, galerias de artes, sala de cinema, teatro, praça central e
jardins, onde são realizados exposições, shows musicais, espetáculos, exibições
de filmes e performances.
Além disso,
oferece o Programa Educativo CCBB Brasília, projeto contínuo de arte-educação,
que desenvolve ações educativas e culturais para aproximar o visitante da
programação em cartaz, acolhendo o público espontâneo e, especialmente,
estudantes de escolas públicas e particulares, universitários e instituições,
por meio de visitas mediadas agendadas.
Em 2022, o
CCBB Brasília se tornou o terceiro prédio do Banco do Brasil a receber a
certificação ISO 14001, cuja renovação anual ratifica o compromisso da
instituição com a gestão ambiental e a sustentabilidade.
SERVIÇO:
Espetáculo Saudade
Local: Teatro do Centro Cultural Banco do Brasil Brasília
Endereço: SCES Trecho 2 Lote 22 – Edif. Presidente Tancredo Neves
Temporada: de
25 de fevereiro a 8 de março
Dias e horários: de 25 de fevereiro a 8 de março: quartas
e sextas: 20h; quintas, às 20h (com acessibilidade em Libras e audiodescrição);
sábados, às 17h e às 20h; e domingos, às 18h
Ingresso: R$ 30 (inteira), e R$ 15 (meia para estudantes,
professores, profissionais da saúde, pessoa com deficiência e acompanhante,
quando indispensável para locomoção, adultos maiores de 60 anos e clientes
Ourocard), à venda no site www.bb.com.br/cultura e na bilheteria física
do CCBB Brasília, a partir das 12h de 19 de fevereiro.
Capacidade
do teatro: 327 lugares (sendo sete espaços
para cadeirantes e três assentos para pessoas obesas)
Duração: 56 minutos
Classificação indicativa: não recomendado para menores de 16 anos
CCBB Brasília: aberto de terça a domingo, das 9h às 21h
Informações: fone: (61) 3108-7600 | e-mail: [email protected]
| site/ bb.com.br/cultura
| Instagram/ @ccbbbrasilia | Tiktok/@ccbbcultura | YouTube/ Bancodobrasil
==> Foto: Stephanie Lauria