Neurocirurgião esclarece curiosidades sobre a memória

Situações em que o nome de uma pessoa, filme ou música desaparece da mente são rotineiras. A responsável pela lembrança ou esquecimento de algo é a memória, um mecanismo complexo que arquiva as informações que aprendemos. “Algumas mensagens são retidas com mais facilidade e por mais tempo em nossa memória, como dirigir ou andar de bicicleta. Mas outras, como lembrar uma fórmula de física estudada na escola, são esquecidas com mais facilidade”, explica o neurocirurgião e professor de Neurocirurgia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Feres Chaddad Neto. 

De acordo com o médico, para conhecer melhor os mecanismos da memória é necessário fazer a distinção entre dois conceitos específicos que muitas vezes são confundidos: cognição e memória. “A cognição é a capacidade de adquirir novos conhecimentos. Ela envolve o raciocínio, a linguagem, a emoção, a motivação e a percepção. Já a memória é a retenção da informação aprendida. No entanto, entre as muitas informações novas que aprendemos ao longo da vida, nem todas são processadas e armazenadas pela mesma estrutura neural. Isso significa que não existe um mecanismo que seja individualmente responsável por todo o aprendizado.”

Tipos de memória
Durante nossa vida, guardamos muitas memórias. Psicólogos e neurocientistas, ao estudarem o armazenamento de informações no encéfalo, chegaram à conclusão que elas são de tipos diferentes. A memória responsável pelos fatos e eventos é chamada de declarativa. Já a de procedimentos, é destinada às habilidades, hábitos e comportamentos.

“De modo geral, a memória declarativa é evocada conscientemente e a de procedimentos não. As declarativas são mais fáceis de serem formadas e são esquecidas com mais facilidade, enquanto as memórias de procedimentos exigem repetição e prática para serem guardadas e possuem menor probabilidade de serem perdidas”, esclarece Feres Chaddad Neto.

Além disso, o neurocirurgião aponta a existência de memórias de longo e de curto prazo. “As de longo prazo são aquelas armazenadas por semanas ou anos, como a recordação de um fato da infância, uma festa de aniversário ou um Natal em família. As de curto prazo, como o nome diz, são esquecidas com mais facilidade e estão sujeitas a alterações e perturbações. Lembramos do que jantamos na noite passada, mas daqui a algumas semanas essa informação não estará mais presente.” 

De acordo com o médico, as memórias de curto prazo podem ser apagadas por traumatismos cranianos ou por eletrochoques, mas não as de longo prazo.

Amnésia
A amnésia é uma grave perda da memória ou da capacidade de aprender, causada por certas doenças ou lesões cerebrais. “Alguns males como concussão, alcoolismo crônico, encefalite, tumor cerebral e acidente vascular cerebral também podem causar prejuízos nessa área”, completa Feres.

“A perda da memória é mais comum após algum traumatismo craniano e pode se manifestar de diferentes formas. Na amnésia retrógrada, o paciente esquece os eventos anteriores ao trauma. Em casos graves, o esquecimento pode ser de toda e qualquer informação aprendida. Já na amnésia anterógrada, há a dificuldade de formar novas memórias após o acidente cerebral. O indivíduo pode se tornar incapaz de absorver qualquer informação nova. Em casos menos graves, o aprendizado torna-se mais lento.”

O neurocirurgião indica que a amnésia global transitória é o tipo mais comum. Ela envolve um acesso repentino de amnésia anterógrada e pode durar algumas horas ou dias. Nesses casos, a fala fica desorientada, mas lembranças de números de telefones, por exemplo, permanecem normais. O tratamento, nos casos em que não há perda transitória ou parcial da memória, é feito com acompanhamento médico e reabilitação cognitiva.

Sobre o neurocirurgião - Feres Chaddad Neto é graduado em Medicina pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, com residência em Neurocirurgia pela mesma universidade. Fez especialização (fellowship) em Microcirurgia Vascular e para Tumor pelo Instituto de Ciências Neurológicas, mestrado e doutorado em Neurologia pela Universidade de Campinas (Unicamp), fellowship em Anatomia Microcirúrgica na Universidade da Flórida (EUA). Atualmente é professor adjunto de Neurocirurgia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), onde é chefe da Neurocirurgia Vascular. É neurocirurgião em diversos hospitais no Brasil e no exterior.Segundo o médico, é possível evitar um déficit na memória se esquivando de fatores que podem lesar o cérebro, ou seja, “utilizar capacetes ao andar de moto, bicicleta ou praticar esportes radicais; sempre usar o cinto de segurança; realizar exames quando sentir alguma anormalidade cerebral, como uma dor de cabeça com um padrão diferente; e evitar o abuso de álcool e outras drogas”.

==> Foto: Divulgação

2 comentários:

José do Patrocínio Nogueira Jr disse...

Muito interessante, texto bem comigo

Dalton Jendiroba disse...

Olá José do Patrocínio, bom dia!

Obrigado pelo comentário!

Abraço ...

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