Cine Brasília terá programação gratuita para comemorar mês de Orgulho LGBTI

Nove longas e sete curtas-metragens farão parte da mostra internacional de filmes em comemoração ao mês do Orgulho LGBTI – lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e intersexuais – no Cine Brasília, que ocorrerá de 20 a 26 de junho. A entrada é franca e os filmes começam a ser exibidos às 19 horas.

O Primeiro Festival Internacional de Cinema LGBTI do DF terá filmes de 10 países: Bélgica, Brasil, Canadá, Dinamarca, Estados Unidos, França, Noruega, Holanda, Reino Unido e Suécia. O objetivo é promover espaço para a reflexão sobre a tolerância aos direitos humanos e debates sobre orientação sexual e identidade de gênero.

O evento é organizado pelas Nações Unidas e por representações diplomáticas dos dez países envolvidos, com o apoio da Secretaria de Cultura e da Parada do Orgulho LGBTI de Brasília.

Programação

No primeiro de dia de exibição, o embaixador da Bélgica, Jozef Smets, fará o discurso de abertura. Em seguida, será exibido o drama belga North Sea Texas, sobre um menino que, com a chegada da adolescência, se interessa pelo vizinho.

Às 21 horas, o curta sueco Reel é a atração. O filme tem 13 minutos e mostra a amizade de dois garotos. Um deles deverá mudar de cidade e eles percebem que estão apaixonados.

Na terça-feira (21), passará o drama dinamarquês Brotherhood, sobre um rapaz que, ao ser expulso do serviço militar, torna-se membro de um grupo neonazista, onde conhece o outro protagonista. Os dois se apaixonam, mas o amor é proibido pelo ambiente que reprime a homossexualidade.

Em seguida, a programação terá o curta sueco Boygame, de 15 minutos. A história é de dois meninos que têm 15 anos e decidem experimentar o contato sexual em uma brincadeira de garotos.

O documentário francês Os Invisíveis começará às 21 horas. Ele conta a história de seis jovens de diferentes partes do país durante o século 20. O filme relata as mudanças da sociedade durante o período.

Ainda na terça-feira, o curta canadense One of Them, de 25 minutos, é sobre um rapaz no ensino médio que tem que lidar com os próprios preconceitos ao descobrir que o amigo é gay e que precisa de apoio.

Na quarta-feira (22), o documentário norteamericano The Case Against 8 aborda o caso da decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que alterou a Emenda Constitucional 8, que proibia o casamento de duas pessoas do mesmo sexo na Califórnia.

Após o relato histórico, a ficção sueca On Suffocation, de 7 minutos, apresenta um filme sem diálogos que trata da importância da vida das pessoas.

Às 21 horas, a comédia britânica com cargas dramáticas Pride será exibida. A película se passa em 1984, Margaret Thatcher está no poder e os mineiros do país estão em greve. O movimento de orgulho gay chega a Londres e decide arrecadar dinheiro para ajudar os mineiros. No entanto, a União Nacional dos Mineiros fica constrangida em aceitar, e os ativistas vão ao País de Gales para entregar a doação pessoalmente.

Na quinta-feira (23), o documentário brasileiro O Meu Nome é Jacque abre a noite. A história é sobre uma mulher transexual com HIV que passa por preconceitos e obstáculos.

O curta holandês Out and About conta a história de pais de filhos LGBTI em três países diferentes: Rússia, Indonésia e Quênia. O filme mostra as diferenças culturais das nações e dos próprios pais, que compartilham medo e angústia pelos filhos.

Na sexta-feira (24), o drama belga Mixed Kebab apresenta a história de um jovem turco que vive com família conservadora muçulmana. Os familiares tentam arranjar o casamento para ele, mas o rapaz é gay.

Com apenas 8 minutos, a animação sueca Ladyboy encerra a noite de sexta. O curta é sobre uma mulher na Tailândia que fez realinhamento de gênero. A moça ainda passa por um dilema: mudar-se para o Canadá por amor ou ficar em Bangcoc, onde sustenta a família por meio da prostituição.

A programação para sábado começa com o drama norueguês The Man Who Loved Yngvie, sobre um menino que tem a namorada perfeita, amigos leais e está prestes a formar uma banda punk. No entanto, aparece um novo rapaz na sala de aula e deixa o protagonista confuso em relação aos sentimentos.

O gênero musical também faz parte da mostra. No norueguês Bald Guy, de 12 minutos, um jovem busca amor e aceitação social em um ambiente em que a homossexualidade não é moralmente aceita.

Encerra o Primeiro Festival Internacional de Cinema LGBTI a comédia canadense Mambo Italiano. O filme conta a vida de um agente de viagens que sonha ser escritor de televisão. O filme brinca com as dificuldades de um homossexual “sair do armário”.

Orgulho LGBTI

Junho é considerado mês do Orgulho LGBTI em homenagem aos protestos que ocorreram em 1969 em Nova Iorque. No período, ativista das comunidades LGBTI enfrentaram os policiais do estado norte-americano pelo fim da discriminação com base em orientação sexual e em identidade de gênero. Desde então, a data é comemorada mundialmente.

Intolerância

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), 74 países criminalizam a homossexualidade e, em cinco deles, está prevista a pena de morte para as relações consensuais entre adultos do mesmo sexo. A maioria dos assassinatos, especialmente de pessoas transexuais, ocorre na América Latina, com 1.654 mortes de janeiro de 2008 até abril de 2016. Desses países, o Brasil é o que lidera o ranking, com cerca de metade das ocorrências (845).

Em janeiro deste ano, o governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg, decretou a criação da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosas ou por Orientação Sexual ou contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência. A unidade é para reforçar a segurança em casos de intolerância.

Jade Abreu, da Agência Brasília

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