Neurocirurgião esclarece dúvidas sobre o Mal de Parkinson

O Parkinson, também conhecido como Mal de Parkinson, é uma enfermidade degenerativa, crônica e progressiva, que atinge, em geral, pessoas mais velhas, a partir dos 60 anos. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, cerca de 1% da população mundial acima de 65 anos é afetada por ela. No Brasil, estima-se que 200 mil pessoas sofram da doença.

Segundo o neurocirurgião e professor de Neurocirurgia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Feres Chaddad Neto, “a doença ocorre pela perda de neurônios da chamada substância negra, responsáveis por sintetizar a dopamina (neurotransmissor indispensável para o funcionamento do cérebro), cuja diminuição provoca sintomas motores como tremor, rigidez muscular, diminuição da velocidade dos movimentos e distúrbios do equilíbrio e da marcha”. Além desses sinais, o médico aponta para o surgimento de depressão, alterações do sono, diminuição da memória e distúrbios do sistema nervoso. 

O neurocirurgião afirma que os motivos da degeneração ainda são desconhecidos, mas fatores genéticos e outros podem desencadear a síndrome, como: 
  • Uso exagerado e contínuo de medicamentos, como a cinarizina, usada para aliviar tonturas e melhorar a memória, a qual pode bloquear o receptor que permite a eficácia da dopamina.
  • Trauma craniano repetitivo, como no caso de lutadores de boxe.
  • Isquemia cerebral, quando entope a artéria que leva sangue à região do cérebro responsável pela produção de dopamina.
  • Ambientes tóxicos, como indústrias de manganês (de baterias, por exemplo), de derivados de petróleo e de inseticidas.
A progressão dos sintomas é usualmente lenta, mas varia muito em cada caso. “Geralmente são amigos ou familiares os primeiros a notar as mudanças: um braço ou uma perna movimenta-se menos do que o outro lado, a expressão facial perde a espontaneidade (como se fosse uma máscara), diminui a frequência com que a pessoa pisca o olho, os movimentos tornam-se mais vagarosos, a pessoa permanece por mais tempo em determinada posição e parece um tanto rígida”, explica Feres Chaddad Neto. 

À medida que a doença progride, aparecem outros sintomas. “O tremor é geralmente o primeiro a ser notado pelo paciente e acomete primeiramente um dos lados, usualmente uma das mãos, mas pode se iniciar em um dos pés. Segurar um objeto ou ler o jornal podem se tornam atividades árduas”, completa Chaddad.

As estratégias de tratamento dividem-se em medidas farmacológicas, não-farmacológicas e tratamento cirúrgico. Além disso, o neurocirurgião alerta para a existência de uma série de hábitos que ajudam as pessoas a enfrentar as alterações orgânicas e psicológicas decorrentes da doença. “O suporte psicológico médico e familiar deve ser estimulado. Como muitos pacientes desenvolvem depressão é recomendável o uso de antidepressivos, bem como terapia ocupacional, grupos de apoio e o incentivo à práticas moderadas de exercício físico”, acrescenta. 

Embora não exista a cura para o Mal de Parkinson, o neurocirurgião esclarece que os cuidados auxiliam os indivíduos a terem mais qualidade de vida. “Mas, para isso é necessário ficar atento aos primeiros sinais, para que a doença seja tratada desde o início”. 

Sobre o neurocirurgião - Feres Chaddad Neto é graduado em Medicina pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, com residência em Neurocirurgia pela mesma universidade. Fez especialização (fellowship) em Microcirurgia Vascular e para Tumor pelo Instituto de Ciências Neurológicas, mestrado e doutorado em Neurologia pela Universidade de Campinas (Unicamp), fellowship em Anatomia Microcirúrgica na Universidade da Flórida (EUA). Atualmente é professor adjunto de Neurocirurgia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), onde é chefe da Neurocirurgia Vascular. É neurocirurgião em diversos hospitais no Brasil e no exterior.

==> Foto: Divulgação

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