Escrito nos anos 1950, sob o impacto da Segunda Grande Guerra, Fim de Partida retrata um cenário pós-apocalíptico na ótica dos personagens Hamm e Clov, símbolos de um mundo em ruínas físicas e emocionais. Quase sete décadas depois, a peça – infelizmente – ainda dialoga com o atual contexto global, motivando esta nova montagem brasileira, da produtora Pequena Central.
A temporada de três semanas no Teatro da CAIXA Cultural Brasília tem estreia dia 6 de junho e os ingressos para o primeiro final de semana começam a ser vendidos dia 30 de maio. Para as semanas seguintes, as vendas abrem no sábado anterior, seguindo sempre o mesmo horário: às 9h na bilheteria física e às 13h online na https://www.bilheteriacultural.com.br/.
Na trama, Hamm, vivido por Marco Nanini, e Clov, por Guilherme Weber, possuem uma trágica dependência física e emocional, em um vínculo atravessado pela violência e pela crueldade cotidiana, em uma tragicomédia ácida assim como melancólica. Presos em um espaço claustrofóbico, enfrentam uma realidade desprovida de sentido, marcada por repetições, jogos de poder e uma espera que nunca se resolve. “O fim está no começo e mesmo assim continua-se”, conclui Hamm.
“Costumo dizer que Beckett fica orbitando a cabeça dos atores contemporâneos, pois oferece um imenso desafio com os múltiplos caminhos que a sua obra permite”, conta Nanini, que já pensava em encenar algum texto do autor irlandês e aceitou de pronto a provocação de Guilherme Weber, em compartilharem a cena neste texto.
Juntos, Nanini e Weber já estiveram em montagens célebres de ‘Os Solitários’ (2002) e ‘A Morte do Caixeiro Viajante’ (2004). Logo chamaram Helena Ignez, icônico nome do cinema brasileiro, com quem Nanini contracenou no início da carreira, e Ary França, com quem dividiu o palco no premiado ‘O Burguês Ridículo’ (1996). Rodrigo Portella, convidado para assumir a direção, chega em um grande momento profissional com a consagração dos espetáculos ‘Tom na Fazenda’, ‘Ficções’, ‘Um Ensaio sobre a Cegueira' (Grupo Galpão) e ‘Ray’.
Portela resolveu dividir o texto em três fluxos: “o primeiro seria a relação simbiótica entre Hamm e Clov. Numa segunda camada a peça pode ser lida como uma alegoria política, onde Hamm surge como um déspota, um tirano arbitrário, figura que alude à lógica da guerra e do militarismo, cuja autoridade se funda no poder bélico e opressivo. Clov é o corpo submisso, o soldado em vigília permanente, sempre de pé, incapaz de repouso, a serviço de uma engrenagem que não faz nenhum sentido. A cena torna-se, assim, um campo de poder em ruínas”, conta o diretor, que chama a atenção ainda para uma terceira camada de leitura: a do metateatro.
Evidenciada pela cenografia de Daniela Thomas, que coloca uma espécie de palco dentro do palco, em uma pequena caixa cênica retangular, a característica da metalinguagem que o texto propõe se estabelece: “Clov é o clown, o operador da cena, o ridículo, enquanto Hamm assume a figura do ator principal, o narrador canastrão que se sustenta na fabulação de si mesmo. O teatro se dobra sobre ele próprio: Há um teatro dentro do teatro, um palco dentro do palco”, resume Portella.
A equipe criativa do espetáculo conta ainda com parceiros que enfileiram uma série de projetos com Nanini, como a própria Daniela Thomas, o iluminador Beto Bruel, o figurinista Antonio Guedes, além do produtor Fernando Libonati, responsável pela produção artística dos espetáculos do ator nas últimas três décadas.
Ficha técnica:
Direção: Rodrigo Portella | Elenco: Marco Nanini, Guilherme Weber, Helena Ignez e Ary Franca | Tradução: Fábio de Souza Andrade | Direção de Arte e Cenografia: Daniela Thomas | Iluminação: Beto Bruel | Trilha Original e Direção Musical: Federico Puppi | Figurino: Antonio Guedes | Assistência de Direção: Zé Mancini | Visagismo: Leila Turgante | Comunicação: Pedro Neves | Gerência de Projetos: Carolina Tavares | Produção Executiva Montagem: Ártemis | Produtor: Fernando Libonati | Produção: Pequena Central de Produções | Assessoria de imprensa local: Território Comunicação
SERVIÇO:
Fim de Partida, de Samuel Beckett
Local: CAIXA Cultural Brasília - SBS – Quadra 4 – Lotes 3/4
Temporada: de 6 a 21 de junho de 2026
Dias e horários: 6 e 7 (sábado e domingo), às 18h, de 9 a 21 (terças às sextas), às 20h, e (sábados e domingos) às 18h. Excepcionalmente no sábado, 13/6, a sessão será às 17h.
Duração: 90 minutos
Sessões com intérprete LIBRAS: aos domingos
Ingressos: R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia entrada conforme legislação vigente e clientes CAIXA)
Vendas: a partir do dia 30/5 (sábado), para a primeira semana, e nos sábados seguintes 6/6, para a segunda, e 13/6, para a terceira e última da temporada. Horário de abertura da bilheteria: às 9h, do teatro, e às 13h, no site https://bilheteriacultural.com.br/eventos/1
Classificação indicativa: não recomendado para menores de 16 anos
Capacidade: 407 lugares
Acesso para pessoas com deficiência
Estacionamento: gratuito aos finais de semana e
feriados e de terça a sexta a partir das 18h
Mais informações: site da CAIXA Cultural
Patrocínio: CAIXA e Governo Federal
==> Foto: Fernando Young
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