Sobre Campo Grande e Outras Coisas Mais

SOBRE CAMPO GRANDE
Na quinta etapa da temporada 2011 da Stock Car, domingo passado em Campo Grande, Cacá Bueno era o terceiro colocado e Daniel Serra o sexto quando ambos os carros da equipe Red Bull Racing receberam penalizações simultâneas por excesso de velocidade nos boxes.

O que já seria uma coincidência bastante improvável mostrou-se claramente um erro técnico da cronometragem ao serem reveladas as velocidades medidas pelo equipamento oficial da categoria para os carros de Cacá e Daniel: superiores a 137km/h e 74km/h, respectivamente, números que, além de estarem bem acima dos 50km/h permitidos, são impossíveis de serem atingidos no ponto de entrada dos boxes (contornado em primeira marcha), e que imediatamente nos levam a levantar duas questões:

1) Com mais de 100 corridas de Stock Car no currículo, será que o tricampeão Cacá Bueno seria realmente capaz de invadir a área dos boxes a quase o triplo da velocidade permitida, colocando em risco as vidas de todos os profissionais que nela trabalham? Nós acreditamos veementemente que não.

2) Mesmo se Cacá, em um inexplicável surto psicótico-suicida, realmente tivesse feito tal estupidez, será que essa passagem em altíssima velocidade não teria sido facilmente perceptível a olho nu? Nós temos certeza que sim.

A Red Bull Racing acredita que os números altíssimos acusados pelo equipamento de medição deixaram claro e evidente que tais leituras estavam equivocadas. E não entende como, com tamanha margem de dúvida, as punições tenham acontecido, ferindo um dos mais básicos princípios da lei em qualquer lugar civilizado: o da inocência até prova em contrário.


SOBRE DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS
A mesma Campo Grande viu ano passado Daniel Serra ter uma vitória incontestável retirada em uma desclassificação altamente controversa. Igualmente controversos foram os critérios de “dois pesos e duas medidas” utilizados pelos comissários de prova da Stock Car ao longo dos últimos 18 meses para punir determinadas infrações:

1) O fato de um piloto fazer seu pit stop antes da abertura oficial da janela de paradas:
Foi punido duramente com a desclassificação de um piloto infrator na 9ª etapa do ano passado e de outra forma, muito mais branda (com apenas um drive-through) quando cometido por outro piloto na 12ª e decisiva etapa de 2010, em Curitiba;

2) O fato de um piloto arrancar do seu reabastecimento com o tanque ainda acoplado ao carro:
Um piloto infrator na 10ª etapa de 2010 não foi punido de forma alguma, outro infrator na 12ª etapa do mesmo ano foi punido com drive-through e finalmente outro tipo de punição, a inédita “vistoria técnica”, foi aplicada para a mesmíssima infração na 1ª etapa de 2011.

Por si só, a incoerência nos critérios já seria amadorismo puro e simples. Porém, o fato de em ambos os casos a equipe Red Bull Racing ter sido diretamente prejudicada por essa inconstância serve para deixar nossas cabeças cheias de interrogações. (E nossos sacos bastante cheios, também).


A Red Bull tem o esporte a motor no seu DNA, e por isso, desde 2007, escolhe a Stock Car como palco principal de sua busca por vitórias e títulos no automobilismo brasileiro. Para nós, Stock Car é sinônimo de alta performance e tecnologia, de autódromos lotados, de Ingo Hoffmann, Paulo Gomes, Chico Serra e tantos outros que construíram três décadas de tradição da principal categoria do Brasil.

Infelizmente para nós, no último ano e meio, Stock Car tem sido também sinônimo de amadorismo e despreparo no campo desportivo.


CACÁ BUENO, #0: “Lamentavelmente hoje (domingo) me foi tomada a possibilidade de um terceiro lugar, que estava sendo conquistado na pista pela nossa equipe. Fica um sentimento de frustração, de revolta, por uma decisão tão longe da realidade, tomada por quem cuida da cronometragem e do radar. Não é possível que uma categoria tão séria tenha espaço para erros tão absurdos. Só espero que a Vicar, organizadora do evento, e a Confederação Brasileira de Automobilismo, fiscalizadora, tomem alguma atitude que mostre ao público a seriedade e a competência que eles dizem que tem. Credibilidade não se conquista escondendo erros, mas sim os assumindo”.

DANIEL SERRA, #29: “Foi um erro absurdo, porque é impossível atingir essa velocidade naquele trecho. Fizemos tudo dentro das regras e já comprovamos isso com todas as informações possíveis. Deve-se fazer uma análise para que isso não volte a acontecer. Hoje foi conosco, amanhã pode ser com outros pilotos. Sei que nossos pontos não serão recuperados, mas algo precisa mudar. Não podemos continuar sujeitos a situações como essa, vendo nosso trabalho ser desfeito por mecanismos que não são eficientes”.



MAIS: http://www.redbullracing.com.br/

FOTOS : Bruno Terena / Red Bull

RED BULL COMMUNICATIONS: Leo Murgel, 11 9104 8279 / Cassio Cortes, 11 9269 3500

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