Grupo dos Dez estreia Madame Satã em curta temporada na CAIXA Cultural Brasília

Dirigido por João das Neves e Rodrigo Jerônimo, o espetáculo Madame Satã, do coletivo mineiro Grupo dos Dez, estreia na capital do país, de 7 a 17 de junho, na Caixa Cultural Brasília. Em curta temporada, a obra listada entre as melhores do ano de 2017, pela Folha de São Paulo, como o melhor teatro musical, Madame Satã foi encenado em capitais brasileiras com grande sucesso de público e crítica. Na temporada brasiliense os ingressos custam R$10,00 (dez reais) inteira e R$5,00 (cinco reais) meia-entrada e o patrocínio é da Caixa e do Governo Federal.

Em Madame Satã, o grupo parte da biografia de João Francisco dos Santos, um dos mais peculiares personagens brasileiros, para dialogar com questões que permeiam a homofobia, o racismo e a homoafetividade. Com trilha sonora inédita, o espetáculo é entrecortado por textos ora poéticos, ora combativos, e traz à tona não apenas a biografia de Satã, mas dá visibilidade aos invisíveis da sociedade que não se enquadram na heteronormatividade vigente.

Com dramaturgia assinada por Rodrigo Jerônimo e Marcos Fábio de Faria, este é o terceiro espetáculo do Grupo dedicado à pesquisa de linguagem acerca do teatro musical e suas possibilidades.

Madame Satã – Um Musical Brasileiro
Aquele que carregou a alcunha de primeiro travesti do Brasil, Madame Satã, é a personagem escolhida para falar de um universo invisível: a prostituição, a pobreza, o racismo, a homofobia e toda a violência de uma sociedade calada frente ao preconceito e à intolerância.

A montagem apresenta Madame Satã antes mesmo de receber o nome. João Francisco dos Santos, um dos 18 filhos de uma família pobre, no início do século XX, é trocado por uma égua e tornou-se, a duras penas, figura mitológica da Lapa carioca, sendo preto, pobre e homossexual.

Cem anos depois, o que mudou? Esta pergunta é o impulso para a criação do espetáculo, tornando Madame Satã a metáfora de uma ideologia política e também estética. Analfabeto de pai e mãe, como ele costumava dizer, o artista Madame Satã é símbolo da incorporação de elementos da cultura ocidental europeia à malandragem carioca, com caras referências às manifestações africanas.

O espetáculo dá continuidade à pesquisa de linguagem do Grupo dos Dez, desenvolvida desde 2008, sobre os musicais brasileiros, uma investigação de como a ancestralidade e a corporeidade negras contribuem para os espetáculos musicais tipicamente brasileiros. A montagem foi realizada ao longo do ano de 2014, dentro do projeto Oficinão do Galpão, em Belo Horizonte, tendo estreado em janeiro de 2015.

Com preparação corporal orientada pelo bailarino e ator Benjamin Abras, a corporeidade das danças afrobrasileiras sutilmente emerge no trabalho. O método principal é o treinamento para a capoeira angola, o samba de roda, a dança dos orixás e contemporânea. Dos terreiros de candomblé e rodas de capoeira, deslocam-se os movimentos de origem afrobrasileira de seus locais originários para o palco, revelando significados diversos.

O espetáculo tem direção musical de Bia Nogueira, que conduziu um processo de experimentações sonoras e improvisações de melodias com bases criadas por instrumentos musicais (harmônicos e percussivos), assim como a elaboração de letras que contribuam efetivamente para a dramaturgia. Neste processo, foi erigida a trilha sonora inédita, criada pelos atores do espetáculo.

Há três anos em cartaz, Madame Satã é sucesso de público e crítica por onde passa. Além de constar na lista dos melhores do ano em 2017 pela Folha de S. Paulo, foi ganhador do Prêmio Leda Maria Martins 2017, na categoria melhor espetáculo longa duração (MG); indicado ao Prêmio Aplauso Brasil 2018, melhor espetáculo musical (SP); indicado melhor ator e melhor atriz no Prêmio Copasa-SINPARC (MG). Em breve a dramaturgia será publicada em livro e a proposta do grupo é gravar um CD com as composições inéditas do espetáculo. A obra completa a trilogia afromineira de João das Neves, que também dirigiu Galanga – Chico Rei e Zumbi, outros dois espetáculos que abordam a temática do negro e que já foram apresentados na CAIXA Cultural.

Primeira Temporada em Brasília terá Debate
Selecionada no edital de Ocupação da CAIXA Cultural, a estreia em Brasília terá debate com o diretor Rodrigo Jerônimo e elenco, a partir do tema “A Brasilidade nos Corpos”. A luta dos invisíveis pauta a discussão necessária sobre as violências que permanecem ao longo dos séculos contra populações específicas.

Rodrigo Jerônimo, que assina co-direção e dramaturgia, destaca as adaptações feitas ao longo do tempo em cartaz: "A cada apresentação, temporada ou reflexão que fazemos sobre o espetáculo, percebemos a necessidade da atualização da dramaturgia. Apesar de discursos de ódio estarem impregnados em nossa sociedade desde os primórdios, é importante mostrar que os crimes permanecem impunes e continuam acontecendo no Brasil, como o assassinato do povo negro, indígena e de LGBT's".

O diretor João das Neves destaca a contemporaneidade do espetáculo e como a história de Madame Satã perpassa a vida de muitos outros brasileiros: “Madame Satã vive. Vive na pujança do movimento negro que exige o reconhecimento cada vez maior de seu papel de protagonista na construção de uma sociedade mais justa; Vive na dignidade de movimentos que lutam contra a discriminação de gêneros, seja ela qual for”.


SERVIÇO:

Madame Satã
Caixa Cultural Brasília (SBS Quadra 4 Lotes 3/4)
Temporada: De 7 a 17 de junho, quinta a sábado, às 20h e domingo, às 19h
Classificação indicativa: 16 anos. Duração: 1h20
Ingressos: R$10,00 (inteira) e R$5,00 (meia)
Informações: (61) 3206-9448 e 3206-6456
Acesso para pessoas com deficiência

Debate: "A Brasilidade nos Corpos"
07 de Junho, após a apresentação do espetáculo, debate com o Diretor Rodrigo Jerônimo, elenco e público presente

==> Foto: Guto Muniz

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