Enciclopédia iluminista recebe sexto e último volume em português dedicado à Metafísica

Um dos símbolos mais proeminentes do conhecimento humano e base do Iluminismo, a Enciclopédia, ou Dicionário razoado das ciências, das artes e dos ofícios, idealizada por Diderot e d’Alembert em 1751 e cujos cinco volumes em português saíram em 2015 pela Editora Unesp, ganhou valioso complemento: um sexto volume, com verbetes ligados à compreensão de temas ligados à Metafísica. “[O livro] foi concebido durante a preparação dos outros cinco volumes já publicados, quando ocorreu aos organizadores e editores que seria interessante reunir e traduzir verbetes dedicados a questões propriamente metafísicas – afinal, a Enciclopédia é conhecida, nos dias de hoje, como uma obra de Filosofia”, escrevem Pedro Paulo Pimenta e Maria das Graças de Souza, organizadores da coleção. 

Engana-se, entretanto, quem pensa que Diderot e d’Alembert servem ao propósito de atacar a religião e rebaixar a Metafísica. “A estratégia adotada é mais sutil”, observa Pimenta. A condução dos verbetes é feita “praticamente sem confrontar as religiões estabelecidas, ora tratadas com deferência, ora com fria objetividade”. Os enciclopedistas trabalharam para evitar, na medida do possível, conflitos com a miríade de religiosos (jesuítas, jansenistas, calvinistas e outros “defensores da fé”). Dessa forma foi possível preservar razoável liberdade ao analisar o conflito de doutrinas filosóficas.  

“À Metafísica transcendente a Enciclopédia opõe uma Metafísica imanente à experiência, uma ciência da articulação sensível do sentido, através de uma atividade técnica – que pode ser consumada num sistema filosófico, numa língua, num livro, como a própria Enciclopédia, ou ainda noutro objeto qualquer, como uma máquina de tear, por exemplo”, anota Pedro Paulo Pimenta. “Essa redefinição aparece na obra através de um movimento que percorre as doutrinas consagradas na filosofia moderna (prisma pelo qual são abordadas as filosofias antigas) e colhe, aqui e ali, os elementos de uma nova concepção do saber filosófico.” 

Sobre a obra 
Em junho de 1751, Diderot e d’Alembert apresentavam ao mundo o primeiro volume da Enciclopédia, ou Dicionário razoado das ciências, das artes e dos ofícios. Os últimos de seus 28 volumes saíram em 1772. Nesse ínterim, ocorreram diversas polêmicas, conflitos com nobres e religiosos e censura, já que a obra era uma declaração clara de um espírito independente, que tirava a primazia da teologia para colocar a razão e a ciência em seu lugar e afirmava os valores da burguesia (trabalho, liberdade e progresso) frente à autoridade da monarquia. Enfim, uma grande ameaça à religião e à ordem política do Antigo Regime. 

Buscando resumir todo o conhecimento humano disponível até então, o projeto reuniu os principais pensadores franceses da época. A dificuldade, enfrentada por Diderot, além de organizar esse material, foi colocar lado a lado personalidades de temperamentos fortes e muitas vezes que se combatiam entre si, como era o caso de Rousseau e Voltaire. 

Na obra original, os verbetes estão arranjados em uma simples ordem alfabética, que foi mantida na edição em português, mas acrescentando uma divisão temática, que se reproduz nos volumes:

1. Discurso preliminar e outros textos, onde se contextualiza e se apresenta o projeto intelectual da Enciclopédia;
2. O sistema dos conhecimentos, em cujos verbetes filosóficos se manifesta a nova concepção de mundo e uma postura que se opõe a todo fanatismo;
3. Ciências da natureza, um registro acurado do conhecimento de Física, Matemática, Química e História Natural da época;
4. Política, que, mais do que um manifesto da emergente burguesia, questiona as forças históricas e reafirma o movimento pela liberdade;
5. Sociedade e arte, que permite observar os modos como uma dada sociedade se manifesta;
6. Metafísica, sobre os temas imanentes à experiência, uma ciência da articulação sensível do sentido.

Sobre os organizadores - Pedro Paulo Pimenta é graduado em Filosofia pela Universidade de São Paulo (1994), mestre (1997) e doutor (2002) pela mesma instituição, onde leciona desde 2005. Dedica-se a estudos na área de Filosofia Moderna, com especial ênfase em autores do Século XVIII.

Maria das Graças de Souza possui graduação em Filosofia pela Universidade de São Paulo (1971), mestrado em Filosofia pela Universidade de São Paulo (1983) e doutorado em Filosofia pela Universidade de São Paulo (1990). Livre-docente em 1999, é atualmente professora titular da Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em História da Filosofia e Política, atuando principalmente nos seguintes temas: filosofia moderna, iluminismo, renascença, história, política.

TítuloEnciclopédia, ou Dicionário razoado das ciências, das artes e dos ofícios - Volume 6: Metafísica
Autores: Denis Diderot e Jean le Rond d´Alembert
Organizadores: Pedro Paulo Pimenta e Maria das Graças de Souza
Tradução: Pedro Paulo Pimenta, Maria das Graças de Souza e Thomas Kawauche
Número de páginas: 543
Formato: 16 x 23 cm
Preço: R$ 78,00
ISBN: 978-85-393-0669-5

==> Foto: Divulgação

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