DIRETORAS NEGRAS NO CINEMA BRASILEIRO CHEGA À CAIXA CULTURAL BRASÍLIA

A CAIXA Cultural Brasília recebe a mostra Diretoras Negras no Cinema Brasileiro, de 4 a 11 de julho. Serão exibidos 45 filmes, entre longas, médias e curtas-metragens, fazendo uma retrospectiva da produção cinematográfica realizada por cineastas negras brasileiras. Com curadoria de Kênia Freitas e Paulo Ricardo de Almeida, a mostra destaca a resistência dessas mulheres. A entrada é franca.

Paulo Ricardo explica que entre os filmes de maior bilheteria do cinema nacional produzidos de 2002 a 2014, nenhum contava com roteiristas ou diretoras negras. “Assim como Adélia Sampaio lutou para realizar Amor Maldito, Viviane Ferreira, Yasmin Thayná, Juliana Vicente e Sabrina Fidalgo enfrentam o racismo e o sexismo que está entranhado no cinema brasileiro”, completa.

Com qualidade digital, os filmes de ficção e documentários retratam aspectos do cinema negro brasileiro, o lugar da mulher negra na sociedade, a cura e o fortalecimento feminino, a luta das empregadas domésticas, a representação racial no universo infantil, a luta por moradia da América Latina, dentre outros.

A programação ainda traz dois debates abertos ao público. Viviane Ferreira, Edileuza Penha de Souza e Kênia Freitas falam sobre as Perspectivas e transformações: a mulher negra no cinema nacional. Em O percurso das diretoras negras no cinema brasileiro, a discussão fica com Flora Egécia, Letícia Bispo e Paulo Ricardo Gonçalves de Almeida.

A mostra também terá uma sessão com audiodescrição e closed captions para portadores de necessidades especiais. O filme Leva será exibido no domingo (9), às 17h30.

Diretoras Negras no Brasil
A pioneira Adélia Sampaio começou no cinema em 1969 aprendendo tudo na prática, como diretora de produção de diversos longas-metragens. Dirigiu os curtas Denúncia Vazia, Agora Um Deus Dança em Mim!, Adulto não Brinca e Na poeira das ruas. Em 1984, se tornou a primeira diretora afrodescendente a dirigir um longa-metragem no Brasil, o Amor Maldito". A ousadia do filme forçou Adélia Sampaio e sua equipe a trabalharem em regime de cooperativa. As salas de cinema também não aceitaram exibir o filme, que foi proposto ser divulgado como filme pornô.

Não existe nenhum movimento de cineastas negras. Cada uma trabalha suas próprias questões. São diretoras jovens e de diferentes locais do país que trabalham temas como feminismo, identidade de gênero, machismo, patriarcalismo, assédio sexual, racismo, orgulho étnico, injustiças raciais e sociais. Dentre elas se destacam como Elen Linth e Keyla Serruya (Amazonas), Larissa Fulana de Tal (Rio de Janeiro), Eliciane Nascimento (Brasília) e Renata Martins (São Paulo).

Sobre os curadores
Kênia Freitas é pós-doutoranda do programa de Mestrado da Universidade Católica de Brasília, doutora em Comunicação e Cultura pela UFRJ e mestre em Multimeios pela Unicamp. Realizou a curadoria das mostras Afrofuturismo: cinema e música em uma diáspora intergaláctica e A Magia da Mulher Negra.

Paulo Ricardo Gonçalves de Almeida é formado em Comunicação Social na UFRJ e em Cinema pela UFF. Trabalhou como crítico de cinema na revista Contracampo e na revista Moviola. Foi curador e produtor das mostras Oscar Micheaux: O Cinema Negro e a Segregação Racial, em 2013, Surrealismo e Vanguardas, em 2014, Francis Ford Coppola: O Cronista da América, em 2015, A Vanguarda de São Francisco, em 2015, e Ken Jacobs, em 2016.


SERVIÇO:

Mostra: Diretoras Negras no Cinema Brasileiro
Local:
Teatro da CAIXA Cultural Brasília (SBS Quadra 4 Lotes 3/4)
Dias: de 4 a 11 de julho de 2017
Programação completa na fanpage: www.facebook.com/DiretorasNegras
Ingressos: entrada franca limitada à lotação do teatro
Informações: (61) 3206-6456
Patrocínio: CAIXA e Governo Federal

==> Foto: Divulgação

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