Programação Cine Brasília: Semana de 01 a 07 de novembro de 2018

Estréia do Cine Brasília esta semana, Marcha Cega é um filme muito oportuno para se refletir sobre a situação política recente do país. É um documento de um período crítico e sua validade é incontestável. O diretor Gabriel Di Giacomo reuniu arquivos da mídia independente desde as manifestações contra o aumento das passagens no fatídico junho de 2013 até a greve geral, em 2017. Ouvimos os relatos de jovens manifestantes sobre a forma como foram abordados, presos, espancados e intimidados por policiais em ocasiões que incluíam, ainda, ocupações de escolas, atos contra a Copa e contra o impeachment de Dilma Rousseff. Um dos participantes é o fotógrafo Sérgio Silva, uma das várias pessoas que perderam uma vista, atingidas por balas de borracha e outros artefatos da repressão. O painel se completa com depoimentos de Luís Eduardo Soares, do advogado ativista Guilherme Perissé, do socorrista Alexandre Morgado e do Tenente Adilson Paes de Souza, que estudou em profundidade a intervenção da policial.

Permanece esta semana no Cine Brasília, UM DIA, filme da diretora húngara Zsófia Szilágyi. É uma obra surpreendente que teve sua estreia mundial na Semaine de la Critique, no Festival de Cannes, neste ano de 2018, onde ganhou o prêmio da FIPRESCI da Federação Internacional de Críticos de Cinema. Nas palavras do júri: "Uma estreia notavelmente confiante". Este primeiro longa da diretora Zsófia Szilágyi é um retrato comovente e doloroso do cotidiano – como o próprio título já diz - de um único dia. O filme dá atenção especial aos detalhes que, muitas vezes, ou são vistos de relance ou passam desapercebidos. Mas as 24 horas retratadas em Um Dia vão muito além de palavras que podem defini-las. É um filme sensorial que transforma o trivial em algo extremamente intenso. O poder da rotina e de cada pequeno passo dado é tratado com esmero por Zsófia. E a diretora possui mais uma carta em sua manga: a excelente atuação de sua protagonista, Zsófia Szamosi.

Completa nossa grade de programação, Djon África, importante filme sobre a busca das raízes. Quem é meu pai? Onde está meu pai? O belo longa-metragem de Filipa Reis e João Miller Guerra, além de ser uma jornada de encontro com a verdadeira origem, com os antepassados sem ligação direta sanguínea, é também um reencontro com a terra africana. Este tema tantas vezes visto está longe de estar esgotado. Conhecer a história das pessoas que vieram antes de nós e o que elas fizeram é uma forma intimista de estudar História. Vai além de descobrir fatos apenas pela da curiosidade. Em Djon África, a cultura documental dos cineastas emerge, mas não no sentido de uma abordagem didática. Eles sabem, por exemplo, usar as imagens e elas dizem tanto quanto aquilo que está sendo narrado. E a catártica última cena é como se fosse uma enfática manifestação de orgulho pan-africano. Um filme oportuníssimo.

Marcha Cega
(Documentário/Brasil/88min/2018)
De Gabriel Di Giacomo
Sinopse: Durante as manifestações que ocorreram em São Paulo nos últimos anos, a Polícia Militar foi responsável por agredir violentamente, ferir e prender uma série de manifestantes. Através do uso excessivo de gás lacrimogêneo e outras técnicas duvidosas, a cidade transformou-se em um verdadeiro campo de batalha e as marchas, inicialmente pacíficas, foram consumidas pela violência derivada das forças policiais.
Classificação indicativa: 12 anos

Um Dia
(Drama/Hungria/99min/2018)
De Zsófia Szilágyi
Com: Zsófia Szamosi, Leo Füredi, Ambrus Barcza
Sinopse: Anna é mãe de três filhos, casada e trabalhadora. Sempre correndo contra o tempo para conseguir cumprir todos os seus prazos e promessas, Anna sente que seu casamento está desmoronando. Sem conseguir conciliar tudo, ela prevê o que está prestes a acontecer, sem poder fazer nada a respeito.
Classificação indicativa: 12 anos

Djon África
(Drama/Portugal/Brasil/Cabo Verde/96min/2018)
De Filipa Reis e João Miller Guerra
Com: Miguel Moreira, Isabel Cardoso, Bitori
Sinopse: A história de Miguel “Tibars” Moreira, mais conhecido como Djon África, filho de cabo-verdianos, que nasceu e cresceu em Portugal. Sem jamais ter conhecido seu pai, acaba descobrindo que ele mora em Tarrafal, e decide aventurar-se além-mar, mesmo sem muitas pistas, à sua procura.
Classificação indicativa: 12 anos

Programação:
Quinta-Feira (01/11)
14h30 – Marcha Cega
16h30 – Djon África
18h30 – Um Dia
20h30 – Marcha Cega

Sexta-Feira (02/11)
14h30 – Marcha Cega
16h30 – Djon África
18h30 – Um Dia
20h30 – Marcha Cega

Sábado (03/11)
14h30 – Marcha Cega
16h30 – Djon África
18h30 – Um Dia
20h30 – Marcha Cega

Domingo (04/11)
14h30 – Marcha Cega
16h30 – Djon África
18h30 – Um Dia
20h30 – Marcha Cega

Segunda-Feira (05/11)
18h30 – Djon África
20h30 – Alemanha no Outono (Sessão com debate)

Terça-Feira (06/11)
(não haverá sessão)

Quarta-Feira (07/11)
14h30 – Marcha Cega
16h30 – Djon África
18h30 – Um Dia
20h30 – Marcha Cega

==> Foto: Divulgação

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