Filósofo francês propõe nova utopia para o mundo contemporâneo

“Estamos cansados das utopias literárias e dos devaneios sobre a Cidade ideal: as utopias em ação que foram os totalitarismos do século XX nos nausearam.” Essa é a base do pensamento do filósofo e professor da E´cole Normale Supe´rieure, em Paris, Francis Wolff, que destrincha as utopias atuais em Três utopias contemporâneas, lançamento da Editora Unesp.

Segundo o autor, as antigas utopias falavam da rejeição do presente e do real: “Existe o mal na comunidade dos homens”. Mas não lhe contrapunham o futuro nem o possível; elas descreviam um impossível desejável. Desde Fourier até os marxistas científicos como Marx e Engels, esses utopistas “eram revolucionários quando não eram realistas, e quando eram realistas não eram revolucionários. Nunca visaram a eliminar o Mal para sempre e derrubar as comunidades políticas existentes para instaurar o Bem”, explica na Introdução.

Ao longo dos três capítulos seguintes, ele apresenta tre^s utopias contemporâneas. A primeira é a pós-humanista, que acabou por instalar o reino dos direitos individuais, “pois não desejamos mais um Estado ideal que nos una e nos faça um nós, um nós inédito, um nós que seja um nós mesmos: esperamos somente que esse Estado nos deixe em paz, cada um por si, e nos permita realizar as aspirações individuais a que acreditamos ter direito”.

A segunda utopia é a animalista, herdeira das grandes esperanças de libertação coletiva do século XX. “Ela sonha com um novo ‘nós’, uma nova comunidade além da política, a comunidade de todos os animais sensíveis.

Wolff então aponta que, a partir destas, “sonhamos para o homem um futuro divino ou um destino animal” e questiona se “haveria lugar para uma utopia humanista entre essas duas utopias anti-humanistas?” Propõe então que se adote uma postura cosmopolítica, uma utopia a ser inventada e que seria, ao seu ver, o estágio superior do humanismo, a reconciliação do animal político com o animal falante. “O cosmopolitismo se alimenta de diversas realidades opostas”, pontua.

Se, por um lado, as imigrações estão crescendo em todas as direções e em nível planetário, por pressão das guerras, dos conflitos, do aquecimento global e, sobretudo, da miséria., por outro, as fronteiras estão se fechando, gerando crises humanitárias. Em termos de representação, tem-se também dois fenômenos opostos: Por um lado, os nacionalismos populistas estão avançando em quase todo o mundo, acelerando as políticas anti-imigratórias e as ideologias xenofóbicas. Mas, por outro, o sentimento de estraneidade está diminuindo com a mundialização e a cosmopolitização.

Diante deste cenário, Wolff defende uma terceira utopia, a cosmopolítica, que se caracteriza “pela ética da justiça (uma ética da terceira pessoa baseada na troca e na reciprocidade dentro da comunidade), que defende abolição das fronteiras e a ideia de concidadãos”.

Sobre o autor - Francis Wolff nasceu na França em 1950. É filósofo e professor da Ecole Normale Supérieure (Paris). De 1980 a 1984, lecionou Filosofia Antiga na Universidade de São Paulo. É autor de diversas obras, dentre as quais destacam-se Sócrates (Brasiliense, 1982), Dizer o mundo (Discurso Editorial, 1999), Aristóteles e a política (Discurso Editorial, 1999) e Nossa humanidade (Editora Unesp, 2013).
Autor: Francis Wolff
Tradução: Mariana Echalar
Número de páginas: 120
Formato: 14 x 21 cm
Preço: R$ 38,00
ISBN: 978-85-393-0743-2

==> Foto: Divulgação

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