Dia da Saúde Mental: Rebeca Gusmão conta que ficou à beira do abismo

Estar literalmente à beira do abismo, à espera de um milagre, ou na premissa de um fim trágico para um sofrimento. Do pódio ao poço, Rebeca Gusmão teve a sua trajetória aberta a todos através das notícias e, com a fibra de uma atleta, superou a depressão que a levou e tentar tirar a vida mais de uma vez. Uma lição que pode servir de alerta quando o assunto é o Dia Mundial da Saúde Metal, dia 10 de outubro.

Hoje personal trainer e palestrante, a ex-nadadora teve o final feliz ao se tornar mãe de Zeus, de 1 ano, e contou todas as suas experiências na biografia Virada Olímpica – A carreira, a queda e a superação. Entre elas, Rebeca compartilha momentos onde perdeu a esperança:

- Lembro quando eu me sentava na mureta do meu apartamento no 13 andar com uma garrafa de vodca na mão...torcendo para acontecer alguma coisa e eu cair lá de cima...

Antes de se curar, Rebeca teve duas tentativas de suicídio. A segunda mais grave:

- Fiquei em coma, tomei remédios, água sanitária e veneno de rato. Uma pessoa tem que estar a cima do desespero para fazer isso.

A ex-nadadora então mergulhou fundo na compreensão do que estava acontecendo:

- Depressão acontece por um distúrbio no cérebro, parece que é uma chave que todos nós temos e que a qualquer momento pode desligar. A dor não é física, é uma dor de dentro pra fora, que não tem remédio que faça ela parar, não naquele momento. Então o que você quer é acabar com aquela dor de uma vez por todas, pois não sabe quanto tempo mais ela vai durar.

As consequências, no entanto, também foram físicas, e desencadearam outros problemas de saúde:

- Emagreci muito, nada eu queria comer. Isso acabou desencadeando diversos problemas hormonais sérios. Eu chorava o dia inteiro e não conseguia se quer pensar em uma forma de começar a querer sair daquela situação.

A volta por cima, a saúde em dia, o sorriso de volta ao rosto. Rebeca Gusmão agora tem entre seus objetivos de vida conscientizar e alertar que é um problema que deve ser levado ao médico, e não uma fraqueza pessoal:

- Se você sobreviveu até aqui, pode ter certeza que você não é fraco. Viver nesse mundo, encarar as pessoas e os problemas não é para qualquer um. Talvez você só precise de ajuda para "ligar" a chave na cabeça que deve ter desligado pelo desgaste do dia dia. Fracas são as pessoas que não tem a capacidade de ajudar alguém, de se importar com o outro.

O conselho de quem já passou por uma grave depressão é: não hesite em procurar ajuda:

- É o melhor caminho. Você pode gritar por ajudar se não conseguir sozinho. Fale com alguém próximo, por exemplo alguém que você soube que já passou por isso. Quem já viveu isso ou viu alguém com quem se importava passar sabe o quanto é sério. Saúde mental é a saúde mais importante que existe. Nossa cabeça controla nosso corpo, nossos pensamentos, atitudes e decisões. Esteja em dia com ela e deixem que os outros pensem o que quiserem de você!

Livro e o final feliz de Rebeca Gusmão
Do pódio ao poço, do pulso de morte à celebração da vida. Rebeca Gusmão - ex-nadadora que perdeu quatro medalhas conquistadas nos Jogos Panamericanos Rio 2007, acusada de dopping - é a prova de que sempre há esperança e que com muita força de vontade é possível, sim, dar a volta por cima. Após se tornar mãe do pequeno Zeus, aos 32 anos ela está relançando sua biografia – Virada Olímpica – A carreira, a queda e a superação - e quer incentivar pessoas mostrando sua vitória na vida pessoal e profissional. "Quero que saibam que até os mais fortes passam por momentos de fraqueza”, diz ela, que atualmente é personal trainer, colunista e palestrante.

Se em agosto 2013 a brasiliense deu um susto ao quase morrer em uma tentativa de suicídio devido à depressão, em 2017 – quatro anos depois - ela se sente completamente realizada com a maternidade e mostra que sua vontade é desfrutar da vida.

“O Zeus veio como um recado dos Céus, um anjo, uma benção, a cura do vazio que eu sentia dentro da minha alma. Ele me mudou como pessoa, como mulher, como ser humano. Meu filho me fez descobrir sentimentos que jamais imaginaria que existissem, um amor maior do que tudo. A maternidade nos torna mais forte e eu me sinto uma leoa hoje em dia. Sem dúvida ganhei a maior responsabilidade de toda minha vida. Estou muito mais madura e feliz”, conta Rebeca.

==> Foto: Renata Ferraz / Divulgação

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