Cartas revelam a cumplicidade entre Casais Monteiro e Ribeiro Couto

“O caso é que há mais de trinta anos, tudo o que me liga hoje ao Brasil, que é mais, sem dúvida, do que uma segunda pátria para mim, se esboçou através do gesto fraternal do Couto” [de lhe presentear com um livro], escreveu Casais Monteiro a Manuel Bandeira, pouco depois de Ribeiro Couto falecer. Em Correspondência– Casais Monteiro e Ribeiro Couto, lançamento da Editora Unesp, com organização de Rui Moreira Leite, o público pode imergir nos mais de 30 anos de uma cumplicidade que vai além do campo intelectual.

A relação epistolar marca uma nova etapa nas relações entre escritores portugueses e brasileiros, só esboçada nas primeiras décadas do século XX. Casais Monteiro era então o mais moço dos diretores da revista presença, e Ribeiro Couto, vice-cônsul em Marselha. As cartas acompanham a introdução dos autores brasileiros em território português e a publicação dos ensaios de Monteiro sobre a poesia de Couto, Manuel Bandeira e Jorge de Lima. 

A correspondência, praticamente completa, vai além. Quando Casais Monteiro é preso, Ribeiro Couto procura auxiliá-lo ao buscar, primeiro, obter sua libertação e, depois, que o amigo pudesse lecionar num estabelecimento particular de ensino e se tornasse colaborador de jornais brasileiros. Como retribuição, Casais Monteiro se oferece para tratar da publicação de um livro de Couto nas gráficas do Anuário em Lisboa.

Uma interrupção da troca de cartas aponta um desentendimento, mas, a partir de então, a reaproximação acontece e só não é selada por um novo encontro porque Couto morre quando se preparava para voltar ao Brasil.

Nesta obra, o leitor encontra mais que os arquivos de uma nova etapa entre escritores portugueses e brasileiros. Retrata uma relação que transcendeu o campo intelectual, como mostram as palavras de Casais Monteiro: “E fora disso há a amizade, da qual não posso dizer senão que se exprime com verdade no verso em que ele me chama seu ‘irmão português’”.

Sobre o organizador – Rui Moreira Leite combinou por três anos o interesse em história da arte com a crítica de arte (1986-1988) e, a partir de seu doutoramento, iniciou estudos em correspondência e vida literária. Desde a exposição em homenagem a Jorge de Sena (1998) dedica-se às relações entre escritores portugueses e brasileiros. A partir de fins dos anos 1990, assume a organização da coleção das obras de seu pai, o psicólogo e crítico literário Dante Moreira Leite, completada em seis volumes.

Título: Correspondência – Casais Monteiro e Ribeiro Couto
Autores: Casais Monteiro, Ribeiro Couto e Rui Moreira Leite (Org.)
Número de páginas: 307
Formato: 14 x 21 cm
Preço: R$ 68,00
ISBN: 978-85-393-0618-3

==> Foto: Divulgação

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