Mergulho no mundo de Freud desvenda seu interesse pelas mulheres

Ao final do século XIX, alguns sintomas desafiavam o saber racional da medicina. Incapazes de identificar fisicamente o que ocorria com algumas mulheres, estas eram classificadas como histéricas. O quadro só se tornou mais claro quando Sigmund Freud desbravou um novo campo da ciência médica, realizando descobertas preciosas e propondo uma nova forma de tratamento, a psicoterapia. Para entender essa revolução epistemológica, o professor José Artur Molina propõe o seguinte caminho: explorar o entorno dessa descoberta, a política, a sociedade, a literatura e a pintura da Viena do pai da psicanálise.

O resultado dessa pesquisa é encontrado no livro O que Freud dizia sobre as mulheres, que a Editora Unesp lança agora em versão impressa. A intenção é investigar como Freud, subvertendo os pressupostos científicos de sua época, chegou aos seus modelos e a conceitos inovadores, como o do inconsciente. E, ainda mais, entender como o mundo moderno é construído desde a desestruturação da antiga hierarquia entre os sexos.Nesse percurso, o feminino também impõe dificuldades a Freud e à sua lógica fálica, que ele mesmo questionaria em seus últimos trabalhos. Dessa forma, como afirma Molina, “o projeto psicanalítico origina-se, portanto, de uma dor, de algo que não quer calar justamente porque não podia dizer: a dor das mulheres”. A partir de suas pesquisas e da escuta de inúmeras pacientes, Freud estabeleceu uma teoria singular, com conceitos como inconsciente, pulsão e um método que incluía a escuta, a associação livre e a transferência. 

Esse coprotagonismo entre o papel das mulheres e a teoria freudiana é abordado buscando-se a inspiração da arte e da poesia. Seguindo uma sugestão do próprio Freud, Molina incursiona nos campos artísticos e literários para saber que tipo de mulher estava sendo construído àquela época. Visita assim “a literatura de Arthur Schnitzler (que faz da mulher protagonista de sua obra) e a pintura de Gustav Klimt (que dedica toda sua arte à mulher): na arte, elas seriam desnudadas, sem pecado e sem pudor”. Para, ao final, definir a tarefa dos psicanalistas – depois de afirmar que homens e mulheres podem escrever seu destino para além das formulações que cerceiam a singularidade – como a “enunciação de singularidades e fazer tremular a bandeira da alteridade como novas possibilidades de estar no mundo”.

Sobre o autor – José Artur Molina é psicólogo, psicanalista e poeta. Possui mestrado em Teoria Psicanalítica pela Universidad Complutense de Madrid, doutorado na área de Psicologia e Sociedade pela Faculdade de Ciências e Letras da Unesp-Assis e pós-doutorado em Psicologia Social pelo Departamento de Psicologia Social da Universitat Autònoma de Barcelona. Professor do Departamento de Psicologia da Universidade Estadual de Maringá, tem como objetos de estudo a psicanálise e a linguagem.

Título: O que Freud dizia sobre as mulheres 
Autor: José Artur Molina
Número de páginas: 184
Formato: 14 x 21 cm
Preço: R$ 28,00
ISBN: 978-85-393-0628-2

==> Foto: Divulgação

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