O domingo será de festa em Itu. Uma festa tão grande quanto a fama que a
cidade carrega. Uma mania de grandeza que o “intruso” do interior
teimou em manter neste Campeonato Paulista. Derrubando um a um, o bravo
time treinado por Doriva chegou ao ápice após vencer o Santos por 7 a 6
nos pênaltis, no Pacaembu, após derrota 1 a 0 no tempo normal. Pela
segunda vez, a primeira com a presença de todos os grandes, o Ituano é
campeão estadual. A primeira foi em 2002, quando os principais clubes do
estado disputavam uma edição maior do Torneio Rio São-Paulo.
Não dá para contestar a heroica conquista do Galo, que tirou o
Corinthians na primeira fase, um favorito Botafogo nas quartas de final,
o Palmeiras na semi, e o Santos em dois jogos duros na decisão. O
Peixe, de Oswaldo de Oliveira, termina o Paulistão com o maior número de
pontos (45), mais gols marcados (47) e o futebol mais vistoso. Nada
disso foi capaz de furar a melhor defesa da competição: 11 gols sofridos
em 19 jogos. Impressionante.
O Santos terá pouco tempo para digerir a derrota, pois volta a campo na
próxima quarta-feira, às 22h (horário de Brasília), contra o Mixto, na
Vila Belmiro. É o jogo de volta da primeira fase da Copa do Brasil – o
Peixe venceu a ida por 1 a 0. No domingo que vem, é a vez de estrear no
Campeonato Brasileiro, contra o Sport, também na Vila.
O Ituano aguarda a divulgação da tabela da Série D para definir seu calendário no resto do ano.
Pênalti polêmico, Cícero decisivo
O Ituano entrou ligadíssimo no jogo, mas não com a bola nos pés. A
marcação forte passou do ponto em alguns momentos e rendeu três cartões
amarelos na primeira etapa, todos para jogadores do setor ofensivo:
Cristian, Esquerdinha e Rafael Silva. Coincidência ou não, Luiz Felipe
Scolari, técnico da seleção brasileira, deu uma palestra ao elenco antes
da partida...
O Santos, mais uma vez, ficou amarrado na marcação do Galo e insistiu
demais nos lançamentos longos, na ligação direta entre defesa e ataque.
Enquanto o zagueiro Neto foi armador, o Peixe não conseguiu jogar. Por
outro lado, a entrada de Alison deu mais segurança ao meio-campo. Ao
contrário do que ocorreu no jogo de ida, o Ituano não dominou a posse de
bola.
A tensão, as entradas mais fortes e o ferrolho do Ituano deixaram a
decisão truncada. Aos poucos, Oswaldo de Oliveira conseguiu desatar o nó
proposto por Doriva: mandou o Santos dar a bola para Cicinho, o
lateral-direito insinuante que foi à linha de fundo, encontrou Damião,
Cícero e fez o goleiro Vagner praticar duas defesas inusitadas: uma de
peito, outra de joelho.
Quando ensaiou uma pressão, o Peixe conseguiu abalar um pouco a
estrutura do rival. Foi assim quando Leandro Damião furou um chute e a
bola sobrou para Cícero, que sofreu pênalti de Alemão. Uma câmera
posicionada para mostrar impedimentos detectou que o meia estava em
posição irregular quando Damião chutou. Na cobrança, Cícero esqueceu o
erro do primeiro jogo, quando chutou um pênalti nas alturas, e fez 1 a
0.
Só nos pênaltis
O resultado do primeiro tempo criou um dilema no segundo. O Ituano
tentou se abrir mais e até criou chances, mas sabia que mais um gol
sofrido daria o título ao Santos. O Peixe, idem. Com as entradas de
Rildo e Gabriel, o time ficou mais tempo no campo de ataque e exigiu
novas defesas de Vagner.
Dos rivais, o Santos era quem menos queria a decisão por pênaltis.
Oswaldo sabe que sua equipe é melhor tecnicamente, e por isso colocou
todo mundo no ataque. Rildo parou em Vagner; Cícero, na falta de
pontaria em uma cabeçada após cruzamento de Geuvânio. O Ituano, na dele,
conseguiu segurar a pressão e levar o duelo para depois dos 90 minutos.
Nas cobranças, após muita tensão, Jackson Caucaia fez o primeiro do
Ituano. Cícero empatou. Na sequência, Aranha cresceu e defendeu a batida
de Anderson Salles, justamente o melhor cobrador do Ituano. Alan Santos
fez 2 a 1 para o Peixe. Marcelinho empatou, mas David Braz marcou logo
depois. Esquerdinha fez 3 a 3, e Rildo mandou na trave. Nas últimas
cobranças, o experiente Marcinho fez o seu, e o garoto Gabriel igualou.
Nas alternadas, Jean Carlos abriu com gol, e Arouca manteve o Santos
vivo. Dener e Alison também marcaram: 6 a 6. Josa marcou o sétimo, e
Vagner garantiu o título do Ituano ao defender a cobrança de Neto.
Ituano, justíssimo, o novo campeão estadual.
==> Fonte: Globoesporte
==> Foto: Marcos Ribolli

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