Há séculos o vinho é considerado o companheiro ideal para uma boa
refeição e, além de proporcionar boas experiências gastronômicas, é
comprovadamente benéfico para a saúde. A partir disso, o Centro Universitário
de Brasília (UniCEUB) pesquisou a vasta culinária que o Brasil oferece e o
melhor tipo de vinho para acompanhar pratos famosos do país.
De acordo com a professora de Enogastronomia do UniCEUB, Rachel Alves,
atualmente há estudos específicos direcionados ao paladar. “Na sala de aula no
UniCEUB, usamos o gráfico científico Método Mercadini
para sugerir as harmonizações. Um gráfico que leva em conta a estrutura dos
alimentos e dos vinhos, sua intensidade e todas as possibilidades de
combiná-los”, descreve a professora. Rachel comenta que este gráfico considera
as principais características encontradas nos alimentos. “Podemos encontrar a
suculência, se há material gorduroso, reações aromáticas e tendência ao
amargor, ao doce ou à acidez e combinamos com particularidades desejáveis nos
vinhos, como efervescência, maciez, aroma e acidez”, explica.
Sobre o gosto do brasileiro por vinho, Rachel ressalta que o seu consumo
vem crescendo, especialmente porque se têm produzido vinhos nacionais de boa
qualidade, principalmente os espumantes. “É visível o aumento das prateleiras
de vinhos nos supermercados e muitos deles separados por países e tipo de uva.
Já vemos aqui em Brasília jovens tomando vinhos espumantes em happy-hour,
nos casamentos e festas em geral”, explica.
Rachel ainda dá dicas na hora de avaliar a qualidade de um vinho. “O
gosto pessoal é determinante na harmonização entre vinhos e refeições. A regra
geral de que carne pede um vinho tinto e peixe deve ser acompanhado de vinho
branco perdeu força”, diz. Para a professora, independentemente da preferência,
é preciso seguir o criterioso ritual de avaliar certos aspectos físicos do
vinho, como a cor, o brilho, as lágrimas e os aromas. “O brilho determina a
vida do vinho. Um vinho sem brilho não deve ser consumido”, conclui.
A professora Rachel preparou uma lista em que harmoniza pratos típicos
de cada região do Brasil e diversos vinhos. Confira:
Região Norte
· Tacacá: A dormência na boca provocada pelo jambu exige um vinho Espumante Nature
(extra-brut).
· Pato no Tucupi: Vinho branco elaborado da uva
Chardonay e bem gelado.
Região Nordeste
· Carne de sol assada na manteiga: Vinho tinto elaborado da uva Cabernet
Franc.
· Sarapatel:Vinho Espumante Brut ou Extra-Brut ou Prosecco .
· Bobó de Camarão: Vinho branco elaborado da uva
Chardonay.
· Vatapá: Vinho branco elaborado da uva Chardonay.
Região Centro-Oeste
· Galinhada goiana: Vinho tinto elaborado da uva Gamay.
· Arroz com Pequi: Espumante Brut.
Região Sudeste
· Feijoada:Vinho tinto elaborado da uva Tannat.
· Carne de suíno: Para a carne de suíno com gordura,
vinho Espumante Brut. Para a carne de suíno sem gordura, como o lombo, vinho
tinto elaborado da uva Gamay.
· Pizza: Cada pizza tem uma harmonização diferente. Como regra geral, sugere-se
vinho tinto elaborado da uva Pinot Noir.
· Massas:O mesmo vale para as massas, cada uma tem suas particularidades. A regra
geral é harmonizar com vinho tinto elaborado da uva Merlot.
· Galinhada mineira: Vinho tinto elaborado da uva Pinot
Noir.
Região Sul
· Churrasco:Vinho tinto elaborado da uva Malbec. Os gaúchos dos Pampas costumam
harmonizar o churrasco com vinho tinto elaborado da uva Cabernet Sauvignon.
· Barreado:Os paranaenses harmonizam o barreado com vinho tinto encorpado, tipo
Shiraz.
A Enogastronomia é a prática de aliar vinhos e refeições, no intuito de
harmonizá-los a partir de características gustativas. O objetivo é criar um elo
sensorial que proporcione prazer através do paladar.
==> Foto: Blog do Groupon

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