Dorival Júnior deu a Cris a responsabilidade de comandar o time em
campo. A braçadeira de capitão, que é de Juninho Pernambucano, suspenso,
caiu bem no zagueiro nesta quarta-feira. Não só pela representatividade
que causa, mas pela sorte que trouxe. O zagueiro, contestado por parte
da torcida, fez seu primeiro gol com a camisa do Vasco, o time venceu o
Fluminense por 1 a 0, na Ressacada, em Florianópolis, e chegou a quatro
jogos seguidos sem derrota no Campeonato Brasileiro - duas vitórias e
dois empates.
Em uma rodada com resultados positivos para a maioria dos times da
parte de baixo da tabela, os três pontos aliviam em parte o estresse do
Vasco. Ainda no Z-4, com 32, ao menos é possível visualizar dias
melhores - apenas dois pontos o separam de Flu e Fla, que joga na
quinta. Já os tricolores, que chegaram a ficar oito jogos invicto,
acumulam agora duas derrotas seguidas, e voltam a ver o rebaixamento bem
mais perto do que o G-4.
No primeiro turno, os times foram protagonistas da reabertura do
Maracanã para clubes. Desta vez, o clássico foi fora do Rio de Janeiro. A
partida foi transferida para Florianópolis - a 1.126 quilômetros do Rio
- após punição sofrida pelo Vasco por conta de uma confusão de sua
torcida com a do Corinthians em agosto, no Mané Garrincha. No total,
8.245 pessoas estiveram presentes no estádio. A renda foi de R$
269.470,00.
Mandantes, os cruz-maltinos escolheram o local por conta da logística,
já que o time vai enfrentar o Criciúma no domingo, no Heriberto Hülse,
às 16h. O Fluminense volta ao Rio de Janeiro para pegar o vice-líder
Grêmio, no Maracanã, sábado, 18h30m.
Herói vascaíno, Cris exaltou a união do grupo.
- O mais importante é que o professor passa confiança para mim, assim
como os companheiros. Quando fiz o gol todo mundo veio. Isso mostra como
o grupo está unido. Parabéns para a equipe - disse o camisa 13.
No lado tricolor, o também veterano Felipe lamentou a segunda derrota consecutiva.
- Sabíamos que era um jogo crucial. Clássico é decidido nos detalhes e
demos mole na bola parada. O Fluminense foi superior, criou várias
oportunidades, mas o Vasco conseguiu se defender. Estamos em uma zona de
confusão e temos de ficar atentos.
Capitão inspirado
Era um clássico bem diferente mesmo. Não só pelo local. Cris, por
exemplo, estreou a braçadeira de capitão do Vasco. Juninho, suspenso,
ficou fora da partida, e o recém-contratado Francismar vestiu pela
primeira vez a camisa cruz-maltina. A apresentação do meia, que veio do
Boa Esporte, aconteceu com um chute forte no travessão, desviado por
Kléver. E Cris parecia à vontade com a braçadeira. Subiu sozinho para
mandar para a rede a falta cobrada por Marlone aos 11 minutos.
No Fluminense é que não havia tanta novidade. Mesmo que a defesa tenha
cortado a primeira cobrança de falta com apenas um minuto de jogo, no
gol de Cris, dez minutos depois, houve falha. Edinho fixou tanto o olhar
na bola que esqueceu de observar que o zagueiro passava pelas suas
costas antes de cabecear sem marcação.
Está certo que na frente faltou um pouco mais de sorte ao Flu quando o
cruzamento de Rhayner sobrou para Wagner, livre, chutar em cima de Diogo
Silva. A defesa cruz-maltina também pecou ao se perder e deixar o meia
sozinho.
Pressão, pressão e pressão
Suspenso, Vanderlei Luxemburgo assistia a tudo longe do banco de
reservas. Mas foi possível perceber a insatisfação de um técnico quando,
após o intervalo, ele faz três substituições. Igor Julião deixou de
atuar improvisado na lateral esquerda para Felipe voltar a exercer a
função que fez durante boa parte da carreira. Biro Biro foi trocado por
Samuel, e Rhayner, por Diguinho. Edinho recuou para a zaga e o esquema
3-5-2 deu mais liberdade aos laterais.
Dorival Júnior deu início às trocas aos 10 minutos quando tirou
Francismar do meio para colocar Willie. A intenção era explorar a
velocidade do atacante e pegar contra-ataques. O Fluminense chutava com
Sobis, Jean, Wagner... A bola cruzada na área passava por Wagner. E o
Vasco só à espreita. Em um dos botes quase certeiros, Henrique apareceu
pela esquerda e o chute foi cortado por Leandro Euzébio. Henrique
repetiu a dose nas costas de Bruno. Novamente o cruzamento parou na
defesa adversária.
Mas tem dia que tudo dá certo, e tudo dá errado. A pressão foi
tricolor, que teve o dobro de finalizações (12 a 6). Mas Diogo Silva
salvou lances, a zaga tirou, a bola pipocou na área e não entrou. O
Vasco se defendeu como pôde, e atacou só no momento ideal. John Cley e
André pediram atendimento médico. E o relógio andou do jeito que os
cruz-maltinos precisavam para garantir três importantes pontos neste
Campeonato Brasileiro.
==> Fonte: Globoesporte
==> Foto: Jamira Furlani / Avaí FC

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