Quem diria que o Corinthians, atual campeão do mundo, eliminaria o
Luverdense, atual campeão mato-grossense, por apenas um gol? Um golzinho
só, de falta, feito inédito em 2013. Há mais de um ano, desde julho de
2012, mês do título da Libertadores, o Timão não marcava dessa forma. E
foi assim, com muito mais equilíbrio do que se imaginava, que a equipe
paulista garantiu vaga nas quartas de final da Copa do Brasil.
Antes da partida, um gato preto caminhou sorrateiramente pelas
numeradas do Pacaembu. Contra o gato, veio o Pato. Ele sofreu a falta,
bateu, teve ajuda do goleiro, e quebrou o jejum de 13 meses. A vitória
por 2 a 0, completada depois por Fábio Santos, deixou a torcida ansiosa
até o fim. Um chute despretensioso, uma falha da zaga, um gol do
Luverdense jogaria tudo por água abaixo após a zebra da última semana,
quando o time de apenas nove anos de idade venceu o primeiro jogo por 1 a
0.
O Timão, assim como tem ocorrido no Campeonato Brasileiro, esteve muito
longe de empolgar. Criou mais chances até chegar, no fim do primeiro
tempo, ao placar que o interessava. Depois, cozinhou o resultado, opção
bem duvidosa para um campeão mundial que enfrenta uma equipe da terceira
divisão.
De bom, fica a atuação de Douglas, por cujos pés passaram quase todas
as boas jogadas ofensivas do Corinthians. O meia aproveitou bem as
ausências dos suspensos Romarinho e Sheik, e certamente colocou dúvidas
na cabeça de Tite para a sequência do ano, para uma equipe que parece em
declínio. A marcação nas laterais é algo que terá de ser corrigido para
a próxima fase. O rival será o Grêmio, que bateu o Santos por 2 a 0 em
Porto Alegre.
Enquanto o Luverdense pode voltar cheio de orgulho para Lucas do Rio
Verde, o Timão vai receber o Flamengo, no Pacaembu, pelo Brasileirão, no
próximo domingo. A meta é tentar voltar ao grupo dos quatro primeiros
colocados da competição, a famosa zona da Libertadores.
Eficiência x Coragem
O Corinthians conseguiu resolver sua situação ainda no primeiro tempo,
mas há de se louvar a coragem do Luverdense. Mesmo com a vantagem no
placar, construída uma semana antes, o time comandado por Júnior Rocha
ousou tentar dominar o campeão do mundo em sua casa. Os anfitriões
demoraram mais de dois minutos para conseguirem passar do meio de campo.
Mas quando passaram...
Não há coragem que supere a diferença de qualidade. Ousado, o
Luverdense só causou algum suspiro em sua torcida nos lançamentos de
Rafael Tavares. A grande chance veio em falha da zaga alvinegra, que
errou a linha de impedimento, e viu Cássio, com a camisa de Gylmar dos
Santos Neves, fazer grande defesa em cabeçada de Tosin.
Mesmo sem o domínio esperado, o Corinthians conseguiu criar chances e
mais chances. Poderia ter feito três, quatro, até cinco gols. Fez só
dois, suficientes para ir tranquilo ao vestiário. Alexandre Pato sofreu
falta de Raul Prata. Ele mesmo bateu, e teve a generosa colaboração do
goleiro Gabriel Leite, que espalmou para dentro.
Nos últimos minutos, um gol improvável. O meia Douglas cruzou, o
volante Ibson desviou de letra, e o lateral-esquerdo Fábio Santos
completou, caído. Inversão total de papéis para que a verdade entre os
times ficasse estabelecida, e, finalmente, o Timão alcançasse o placar
que o classificaria.
Pato e Douglas, por sinal, conduziram o Corinthians. O atacante chamou a
responsabilidade, fez jogadas individuais, e o meia teve inteligência
para armar o ataque. É que Guerrero não esteve numa noite feliz.
Desperdiçou duas oportunidades, uma incrível, após arrancar livre,
driblar o goleiro, mas perder para Gilson, na cobertura.
Preguiça x Limitações
O Corinthians já tinha o placar que precisava. O Luverdense precisava
de apenas um gol. Nenhum dos treinadores mexeu nas equipes no intervalo,
mas o jogo perdeu muito da emoção da etapa inicial. Os visitantes
tentaram se manter no campo de ataque, e voltaram a sofrer com as
limitações técnicas. Já o Timão se acomodou com a vantagem, e ficou à
espreita, à espera de erros do adversário.
A defesa do time de Lucas do Rio Verde demonstrou uma enorme vontade de
entregar quando foi pressionada, no início do segundo tempo, mas os
atacantes corintianos não aproveitaram os vacilos. Logo a marcação
voltou a recuar, e o Luverdense voltou a ficar por mais tempo com a
bola.
Os atacantes Misael e Tosin saíram machucados, e o ímpeto do
surpreendente campeão do Mato Grosso diminuiu. Samuel e Tatu receberam
poucas bolas. Vibração, mesmo, dos 28.576 pagantes, só quando o placar
anunciou os gols de Paulo Baier e Éderson, do Atlético-PR, que
eliminaram o Palmeiras da Copa do Brasil.
E para quem esperou tanto por um gol de falta, quase saiu outro.
Douglas bateu bem, mas a bola raspou a rede por cima da trave. Pato,
muito pior do que no primeiro tempo, pediu para sair. Tite não deixou.
Disse que ele iria jogar.
Sem pressão do Luverdense, sem ousadia do Corinthians, os torcedores
esperaram o apito final do árbitro no gelado Pacaembu. Vaga garantida,
obrigação cumprida, futebol fraco.
==> Fonte: Globoesporte
==> Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte

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