O Botafogo mostrou que, apesar da liderança de Seedorf, hoje possui um
time com padrão de jogo capaz de falar por si. Sem o holandês, que ficou
fora com dores no joelho, mas liderado por grande atuação do discípulo
Vitinho, o Alvinegro venceu o Atlético-MG por 4 a 2, no Maracanã, de
virada, e conquistou boa vantagem nas oitavas de final da Copa do
Brasil. Motivo de festa para a maioria dos 16.153 torcedores (com renda
de R$ 668.975,00) que pagaram ingresso na noite desta quinta-feira e
aplaudiram a jovem estrela da companhia, com direito a gritos de "olé".
Vitinho coroou uma grande noite com um gol, o quarto, mas fez bem mais:
movimentou-se muito, passou boa parte do tempo com a bola nos pés e
teve participação nas jogadas dos outros três gols, marcados por
Lodeiro, Leonardo Silva (contra, após cruzamento de Lodeiro) e Rafael
Marques. Para o Galo, fizeram Marcos Rocha e Guilherme, este último já
no finzinho, gol que mantém o Galo com chances palpáveis no confronto.
Seedorf, que assistiu à partida da tribuna, já não havia jogado no
primeiro encontro entre os times nesta temporada, no dia 7 de agosto,
pela 12ª rodada do Brasileiro. Na ocasião o Glorioso também atuou bem e
sofreu um gol de empate (2 a 2) no último lance da partida disputada no
Independência. Lodeiro também deixou sua marca em Minas Gerais.
O Botafogo agora pode até perder por um gol de diferença na partida de
volta, na próxima quarta-feira, às 19h30m (de Brasília), no estádio
Independência, em Belo Horizonte, que garante a classificação para as
quartas de final. Ao Galo resta a missão de vencer por dois gols para
buscar a vaga. O vencedor desta série pega o time que passar do
confronto entre Flamengo e Cruzeiro.
Destaque da partida, Vitinho não deixou de lembrar de Seedorf e
ressaltou a importância do mentor em seu amadurecimento como jogador.
- Seedorf não pode jogar, não está se sentindo bem. Mas ele tem
participação em tudo que está acontecendo na minha vida. O time está de
parabéns pela partida que fez hoje, pela determinação. Tive a
oportunidade de finalizar no gol e acertar um belo chute.
Ronaldinho admitiu que o resultado não foi bom, mas destacou os gols
fora de casa para manter a esperança em uma virada do Galo, como tem
sido a característica do time na temporada, em especial na campanha do
título da Taça Libertadores.
- Tem que ser (com sacrifício), como foi em toda a nossa campanha da
Libertadores. Não foi um bom resultado, mas fizemos dois gols fora de
casa, e isso é importante na Copa do Brasil. Vamos entrar no Horto para
fazer dois e tentar a classificação.
No fim de semana, os times voltam, a atuar pelo Campeonato Brasileiro.
No domingo, o Botafogo visita o Atlético-PR no estádio Durival de Brito,
às 18h30m (de Brasília), enquanto o Galo recebe a Portuguesa no
Independência, às 16h (de Brasília).
Galo começa melhor, e Bota se recupera
A etapa inicial se dividiu em duas partes. No início, um Galo mais
ligado, bem coordenado na marcação, para a roubada de boa e saída veloz
nos contra-ataques. O Botafogo era o oposto. Ainda tentava descobrir
como jogar sem seu coordenador holandês. A marcação sobre Ronaldinho não
chegava a ser individual, mas tinha Gabriel quase o tempo todo por
perto. Mas os espaços entre os zagueiros e o meio-campo estavam lá para
os outros atleticanos aproveitarem. O primeiro aviso veio na arrancada
de Fernandinho, desde o grande círculo, que por pouco não entrou. Na
próxima, o contra-ataque mortal do Atlético-MG parou no fundo da rede de
Jefferson. De Luan para Ronaldinho, e um tapa de primeira para Marcos
Rocha. O lateral bateu rasteiro, na saída de Jefferson, e correu para o
abraço.
O golpe parece ter acordado o Botafogo. Subitamente, a marcação
avançou, e a lentidão foi substituída por uma movimentação mais intensa
no ataque. O atacante Alex, que substituiu Seedorf, tentava fazer o pivô
na frente da área, e Rafael Marques e Vitinho mudavam de lado
constantemente. Com a chegada de Lodeiro, que assumiu a função de
organizador que normalmente fica com o holandês, o Botafogo chegou ao
empate. Um belo chute do uruguaio após troca de passes, colocado, não
deu chances ao arqueiro Victor. A pequena torcida presente ao Maracanã
se animou, e o time também. No minuto seguinte, Vitinho quase virou em
chute rasteiro. O Galo seguia com a estratégia do contragolpe, e se Luan
não errasse o último passe, Ronaldinho teria deixado o seu.
Dois gols em dez minutos
Ajudou muito na estratégia do Botafogo que o segundo gol tenha saído
logo no início da segunda etapa. Vitinho conseguiu grande virada de bola
para Lodeiro, que na lateral bateu rasteiro para dentro da área.
Leonardo Silva tentou cortar e colocou para dentro. Cheio de confiança, o
time de Oswaldo de Oliveira foi para cima em busca de ampliar a
vantagem. Mais uma vez a jogada começou pelos pés de Vitinho, e Rafael
Marques chutou colocado. A bola ainda bateu em Junior Cesar antes de
entrar. Em dez minutos, o Botafogo tomou o controle da partida e colocou
o Galo em situação complicada, mesmo para o jogo de volta.
Até por isso, o técnico Cuca saiu em busca de mais um gol, que
atenuasse a desvantagem mineira. Colocou Guilherme no lugar de Josué e
Neto Berola na vaga de Fernandinho. O Galo aumentou seu volume de jogo e
passou a se aproximar perigosamente da área do goleiro Jefferson. O
Botafogo, por sua vez, seguia apostanto na coletividade. Melhor exemplo
foi a jogada ensaiada em cobrança de falta, que colocou Rafael Marques
na cara de Victor. Desta vez, o goleiro pegou. No entanto, ele não
conseguiu evitar o quarto gol um pouco mais tarde, em chute preciso de
Vitinho da entrada da área. O Galo parecia abatido, mas conseguiu forças
para arrancar mais um gol fora de casa, com Guilherme, que recebeu
livre na área e tocou fora do alcance de Jefferson. O tento reacendeu a
esperança de chegar às quartas de final, embora a vantagem seja toda do
Botafogo na próxima quarta-feira.
==> Fonte: Globoesporte
==> Foto: Guito Moreto / O Globo

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