Dirigido por Jarleo Barbosa, "Hotel Mundial" estreia na mostra O Amor, a Morte e as Paixões

Dois países, duas línguas, um quarto de hotel. Hotel Mundial conta a história de um casal que vive um relacionamento à distância. Antônio (Felipe Brum), é um brasileiro que está de passagem em Buenos Aires para visitar sua namorada argentina Sofia (Verônica Gerez). O encontro não sai como esperado e tudo que sentiam à distância acaba se transformando em uma grande crise. A produção será lançada no dia 1 de março (sexta-feira), às 21h, no Cinema Lumière Banana Shopping, dentro da mostra O Amor, a Morte e as Paixões.

O filme é o primeiro longa-metragem do diretor Jarleo Barbosa que, ao longo do processo do processo, teve o auxílio de Frederico Foroni na preparação dos atores Verónica Gerez e Felipe Brum, que se tornaram parceiros e corroteiristas do filme. Desse modo, Hotel Mundial foi se tornando, cada vez mais, um filme-processo, se construindo como um drama denso sobre a dor e a angústia da distância entre amantes, mesmo quando próximos fisicamente, num trabalho que envolveu algumas decisões conscientes, outras nem tanto, riscos e respostas a situações absolutamente imprevistas.

A dramaturgia de Hotel Mundial se construiu largamente sobre o linóleo da sala de ensaio e no calor do set onde os atores e a pequena equipe criavam novas possibilidades. Foram seis dias de filmagem na capital argentina completamente realizados dentro de um quarto de hotel que dá nome ao filme. No processo, gradualmente, a fronteira entre a ficção e o documental se tornou porosa, assim como aquela entre atores e personagens.

Hotel Mundial não apenas conta a história da relação e do desentendimento entre Sofia e Antônio, mas, numa outra camada, a do envolvimento desses atores com seus personagens e com o filme. De todo processo do filme, foi isso que restou; dois atores imersos em um não-lugar, um espaço de transição, ocupado pelas ausências que permeiam toda a sua história.

O filme é uma realização da Panaceia Filmes, tendo como co-produtora a Sertão filmes. A história foi possível graças aos recursos oriundos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Goiânia e da Lei Goyazes, a lei de incentivo à cultura do estado de Goiás.

Nota do diretor
O meu interesse sempre esteve no pequeno, no residual, no contido. A primeira vez que li A paixão segundo GH foi uma descoberta. Um mulher, um quarto, uma barata - e dentro dessa pequeno universo, a história das coisas, dos homens, do mundo.

Tenho especial interesse pela fábula mínima e certamente esse interesse a me guiou para um quarto de hotel em Buenos Aires para contar a história de dois jovens que, apesar de se amarem e se esforçarem para o encontro, estão sempre mediados por uma distância, como estamos todos nós o tempo todo no trato com o outro.

O amor vem com a promessa de aplacar e dirimir a solidão. Na prática, entretanto, a experiência amorosa é o manejo de uma distância, o contato com uma ponte intransponível. O desafio do Hotel Mundial era esse: filmar duas pessoas na esperança de um encontro, compartilhando suas solidões. Durante o processo a história de Sofia e Antônio, que eu havia esboçado por anos, foi dando lugar a uma vontade de contar a história de Verónica e Felipe. Um desejo de filmar aquelas pessoas, mediadas pela ficção.

Não estava interessado que os atores encenassem suas próprias vidas, e sim que emprestassem suas vidas à nossa história. Ou seja, Hotel Mundial não é uma narrativa sobre Verônica ou Sofia, Felipe ou Antônio, mas sobre uma terceira coisa, uma persona que surge da experiência de atores respondendo ao estímulo ficcional com as suas próprias experiências. Vemos como resultado do filme duas pessoas entregues à suas dualidades, falando e agindo sempre em função de um outro que nós não sabemos bem quem é, mas que nos habita e nos define.

Apesar de tudo, persiste nos personagens e no filme a esperança de um encontro. E que esse encontro possa aplacar distâncias, e romper as pontes, e sublimar as línguas, e os limites todos para que, enfim, duas um possa simplesmente estar um na presença precária do outro.

Sobre o diretor
Jarleo Barbosa é diretor e roteirista de cinema e televisão. Formado em audiovisual (UEG) e pós graduado em roteiro (FAAP), realizou três curtas metragens que passaram por mais de 60 festivais do Brasil e do mundo, tendo recebido 20 prêmios.

O cineasta dirigiu o programa de TV Arquitetura Verde, exibido no canal +Globosat para todo o Brasil. Atualmente prepara o lançamento do seu primeiro longa metragem, Hotel Mundial. Jarleo também é roteirista do longa Alaska, que tem estreia prevista para 2019. Além disso, roteirizou a série de TV Doçaria do Brasileira, que exibida no canal CineBrasilTV para todo o país.

Atualmente Barbosa é chefe de conteúdo da TV Brasil Central, afiliada da TV Cultura, onde coordena a produção de todos os programas do canal e é o líder do Núcleo Criativo da Panaceia Filmes (Prodav 03), responsável pelo desenvolvimento de 4 séries de TV e um longa metragem.

Panaceia Filmes
Desde 2010 realiza projetos de produção, formação e reflexão na área audiovisual. Ao longo desses primeiros anos, produziram sete curtas-metragens, quatro edições da mostra Cinema na Calçada, três edições do Seminário Audiovisual para Produtoras Independentes, o SAPI, além da primeira revista de cinema do estado de Goiás, a ]JANELA[.

Em 2018, lançaram o primeiro longa-metragem Paulistas e em 2019 lançaram mais dois Hotel Mundial e Alaska. Em 2018 também estreou uma série de TV com coprodução da Panaceia: Doçaria Brasileira, que foi exibida para todo país pelo canal Cine Brasil TV.

Sertão Films (coprodutora)
Produtora que nasceu em Goiânia há 10 anos. No documentário, a Sertão tem um longo trabalho com povos indígenas, revelando sua riqueza e diversidade; na ficção, um pendor por road movies e histórias de amor. Entre seus projetos de sucesso, estão o longa “Cartas do Kuluene” (2011), lançado na 35a Mostra Internacional de São Paulo, que entrelaça a história de três narradores em três tempos para refletir sobre o encontro com povos indígenas brasileiros; a série documental em 16 episódios “Xingu – A Terra Ameaçada” (2007), dirigida por Washington Novaes e exibida pela TV Cultura; e “Grammar of Happiness” (2012), uma coprodução internacional para a ABC Austrália exibida na América Latina pelo Discovery.

Em 2018, a Sertão lançou o longa “Hotel Mundial”, uma história de amor filmada em Buenos Aires, e em 2019, o longa “Alaska”, um road movie. Atualmente, a produtora desenvolve uma carteira de projetos que abrange séries ficcionais e documentais e um longa de ficção.

==> Foto: Divulgação

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