Filósofo discute a multiplicidade do conceito de natureza desde a Ilustração

O surgimento da Biologia como ciência no século XIX foi precedido de uma intensa e rica reflexão acerca das leis que determinam a organização da matéria em sistemas específicos – os seres vivos. Em A trama da natureza: organismo e finalidade na época da ilustração, lançamento da Editora Unesp, Pedro Paulo Pimenta reconstitui alguns momentos fundamentais dessa história, partindo de Hume, cujo Tratado da natureza humana surgiu em 1740, passando por Kant, autor da Crítica da faculdade de julgar (1790) e chegando a Darwin, que publicou a Origem das espécies em 1859.

Os ensaios reunidos no volume abordam questões científicas pelo prisma da filosofia, mostrando como, na “época da Ilustração” (ou no longo século XVIII), os filósofos e os naturalistas se empenharam em definir estratégias e forjar conceitos apropriados para explicar os fenômenos da vida no quadro das ciências da época, dominado pela física newtoniana. Era imperativo submeter o organismo a uma regularidade, conhecer suas leis de estruturação, mostrar a hierarquia de suas funções internas, bem como a perpetuação das formas nas diferentes espécies.

Tarefa nada fácil, que exigiu a crítica e a refutação de doutrinas caras não somente aos filósofos e homens de ciência, como também à religião. Esse empenho levou a uma redefinição do que se entende por natureza e por experiência, e abriu perspectivas novas não apenas ao estudo dos seres vivos como também das formas de organização social. 

São duas séries diferentes de fenômenos, que a Ilustração pensou a partir de modelos similares. Não estranha encontrar, nestas páginas, ao lado de um Diderot, que pensa as máquinas, e de um Adam Smith, profeta da organização espontânea, as figuras de Buffon, Lamarck e Cuvier, que definiram o solo teórico do darwinismo. O próprio autor observa que seu texto, se bem-sucedido, “poderá oferecer algo como um plano de pesquisas, a serem desenvolvidas e aprofundadas no futuro, acerca de um assunto que, malgrado suas origens longínquas na história do pensamento moderno, permanece atual.”  

Sobre o autor – Pedro Paulo Pimenta é professor livre-docente no Departamento de Filosofia da USP. Traduziu e organizou diversos títulos pela Editora Unesp, entre eles, a Enciclopédia, de Diderot e d’Alembert. Também é autor de numerosos artigos e de alguns livros, dentre os quais se destaca A imaginação crítica. Hume no Século das Luzes (2013). 
Autor: Pedro Paulo Pimenta
Número de páginas: 469
Formato: 14 x 21 cm
Preço: R$ 74,00
ISBN: 978-85-393-0719-7

==> Foto: Divulgação

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