Literatura: mulheres reclamam de falta de espaço

As páginas são mais pesadas para elas. Mudar a história é difícil, mas as autoras em Brasília não desistem de escrever novos capítulos de um mercado fechado, como são tantos outros. No Brasil, cerca de 70% dos autores de livros publicados são homens. As escritoras na capital reafirmam que precisam de mais espaço e reconhecimento, inclusive com temáticas feministas.

“Sempre tento mostrar que os homens e mulheres conseguem fazer as mesmas coisas, têm o direito de se expressar da mesma maneira”, explicou a escritora Vivianne Fair. Ela ressaltou que a melhor maneira de se conciliar com as mudanças contemporâneas é uma pessoa olhar para o mundo que existe dentro dela e repensar suas convicções.

A escritora e servidora pública, Patrícia Baikal, disse acreditar que as questões feministas estão sendo  abordadas naquilo que alguns chamam de primavera feminina. “Eu abordo essas temáticas em meus livros. A protagonista da minha última história é uma mulher forte, independente e líder de uma organização”.

A escritora e jornalista Marina Oliveira expôs o movimento como uma abertura da liberdade de expressão para as mulheres, permitindo-as falar sobre super-heróis, fantasia ou erotismo, gêneros que eram abordados, na maioria das vezes, por homens. “Daqui a 30 anos as crianças de agora serão os adultos que passarão mensagens de diversidade e tolerância”.

Independentes
A escritora e professora de inglês, Paula Ottoni, de 23 anos, disse que acha importante as autoras mulheres passarem mensagens positivas do papel da mulher na sociedade para o público. “Isso pode vir de várias formas: personagens femininas fortes, corajosas, mostrando alguma superação ou enfrentamento de obstáculos”. Paula começou seu trabalho de forma independente. Escrevendo, diagramando e vendendo seus livros sem contrato com editoras, Paula conseguiu fazer o que parecia impossível: publicar. “Seguir caminhos independentes de editoras, indo a eventos e ampliando contatos podem ser maneiras boas de se conseguir um contrato futuramente”, explica.

Independente das editoras estarem interessadas em explorar alguns gêneros específicos, Paula acredita que o papel dos escritores é continuar escrevendo o que gostam da melhor maneira possível. “Acho que trazer temáticas diferentes com criatividade e dentro do nosso contexto brasileiro é uma forma de competir com assuntos estrangeiros”.

Concorrência
As maiores mudanças surgem através das gerações. “A transformação está vindo dos jovens para os adultos e, aos poucos, eles vêm transformando as gerações mais velhas”, concluiu Patrícia Baikal. Outro ponto que atrapalharia o mercado nacional, segundo as entrevistadas, é o fato das editoras estarem interessadas em vertentes literárias. Algumas das vertentes citadas foram vampiros no presente e anjos no passado.

As editoras, segundo as escritoras, também possuem parcela de culpa na concorrência dos livros nacionais com os estrangeiros. A facilidade em trazer um livro de fora e traduzi-los seria um investimento mais seguro do que investir no em autores nacionais, pois a editora já saberia a resposta do público internacional, segundo as escritoras.

“Na escola lemos muitos clássicos da nossa literatura, mas nem sempre estamos preparados na adolescência ou infância para aquele tipo de leitura. Acabamos já criando uma resistência com a literatura nacional”, comentou Marina Oliveira.

Dentro do Brasil, essa concorrência também atrapalha a vida das autoras brasilienses.  A disputa com o mercado do Rio de Janeiro e de São Paulo foi apontada como desleal pela escritora Marina Oliveira. O fato das editoras nacionais estarem presentes no eixo Rio-São Paulo é tido como uma barreira para a maior visibilidade brasiliense. Os autores que vivem nesse eixo teriam mais facilidades. “Elas [as editoras] promovem muitos eventos literários no Rio e São Paulo. Ficar pegando avião toda hora não dá”, brincou Vivianne Fair.

João Victor Bachilli e Laylla Nepomuceno | Agência de Notícias UniCEUB

==> Foto: Academia Literária

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